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Brasília

Protestos: Confusão na BR-040

Arquivo Geral

15/03/2014 7h00

Duas manifestações interromperam o trânsito na BR-040, na manhã de ontem. A primeira, organizada por professores estaduais de Goiás, reuniu cerca de 100 docentes. Eles fecharam a rodovia no sentido Luziânia (GO), na Região Metropolitana do DF. Os profissionais pediam melhores condições de trabalho e reajuste salarial. Cerca de uma hora depois, antes que o primeiro movimento acabasse, passageiros indignados com a falta de transporte público e as condições estruturais dos ônibus também resolveram protestar e bloquearam o outro lado da pista. 

As manifestações causaram transtornos a  quem passava pelo local. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o engarrafamento chegou a quase 30km. O trânsito só foi liberado ao meio-dia.

De acordo com os professores, que lecionam em Luziânia (GO), até o dinheiro para as cópias do material distribuído aos alunos sai do bolso deles. Além disso, segundo eles, há quase três anos a categoria não recebe reajuste salarial. O protesto só terminou após negociações com a PRF, três horas depois do início da manifestação. 

Passageiros

Já o movimento dos passageiros foi mais demorado. Eles fecharam a pista no sentido Brasília e atearam fogo em restos de madeira e pneus. De acordo com os manifestantes, cerca de 100 pessoas, há poucas linhas ligando as cidades goianas Jardim Ingá, Valparaíso e Luziânia, todas na Região Metropolitana, ao Distrito Federal. 

Veículos velhos

Segundo os manifestantes, as empresas que operam nessa região – Viação Anapolina, G20 e Grande Brasília – disponibilizam veículos velhos para as linhas, que quebram constantemente. “Ônibus sem farol, sem freio, com assentos quebrados”, alegou o motorista Clenio Pacheco,  30 anos. “As paradas ficam entupidas de gente e os motoristas não param”, comenta a manicure Jaqueline Onorato, 24 anos. 

Para liberar a pista, os manifestantes exigiam a presença de uma liderança do governo e das empresas de ônibus.  

Indignação em uma fila sem fim
 
Enquanto os passageiros protestavam, motoristas que tentavam chegar a Brasília sofriam no engarrafamento. Clovis Copuzo, 53 anos, é proprietário de uma transportadora e estava com quatro caminhões parados no congestionamento. “O que não pode é a polícia ficar só olhando. Estamos indo para um evento, temos horário para entregar as mercadorias”, lamentou. 
 
O motorista Gelsimar Pagung transportava chocolate para Brasília e Aparecida (GO). “A carga está estragando nesse sol. Os manifestantes já disseram que não têm previsão de liberação da pista, então a polícia precisa tomar uma atitude”. 
Passageiros de um ônibus que saiu de São Paulo às 13h da quinta-feira com destino a Brasília estavam cansados e indignados com o bloqueio. “Meu tio está me esperando na rodoviária. Não temos nada a ver com isso”, argumentou Rebeca Aparecida, 24 anos. 
 
A funcionária pública Rosimeire da Silva, 49 anos, disse que perdeu o ônibus que pegaria para Teresina (PI). “Já comprei passagem para esse horário (9h30) para não ter risco de perder o outro ônibus, mas não adiantou”, lamentou.
 
Nem ambulância

Segundo o inspetor Bonfim, da PRF, nem mesmo uma ambulância foi autorizad a passar para atender vítimas de um capotamento. “Os manifestantes disseram que deveríamos acionar o resgate aéreo se fosse necessário”, relatou o inspetor.
 

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