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Brasília

Proprietário do Circo Moscou diz que vem recebendo ameaças de outros grupos

Arquivo Geral

06/01/2009 0h00

“Hoje tem espetáculo?”. Essa pergunta é cada vez mais rara na bilheteria do Circo Mágico Moscou, viagra approved instalado no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. A tenda colorida integra a paisagem da cidade há três meses. Porém, website like this os componentes do show já não se fazem presentes. As famílias, o pipoqueiro, o palhaço e o sorriso deram lugar ao medo.


De acordo com o proprietário do circo, Charleston Ricardo Macedo Monteiro, há dois meses os espetáculos não ocorrem devido a ameaças feitas a ele, aos artistas e aos visitantes. O motivo seria a opção por trabalhar sem animais no picadeiro. Charleston doou os bichos – um chimpanzé, um leão, uma tigresa, uma ursa e um babuíno, avaliados em R$ 2 milhões – à organização não-governamental Projeto GAP – Grupo de Apoio aos Primatas. Desde então, o Circo Moscou estaria sofrendo represálias.


Isso porque a opção de abdicar dos animais seria um enfrentamento à tradição circence de utilizar os bichos nos shows. Assim, conforme Charleston, as ameaças seriam encomendadas por outros circos, que desaprovam a posição do Circo Moscou. “Eu estou sendo impedido de trabalhar. Desde que estou em Brasília, já tive meu painél pichado, cercas arrancadas e tendas queimadas. Eu já fui espancado e já tive que fugir, diversas vezes, de pessoas armadas e encapuzadas que chegaram no meu circo”, desabafa o proprietário.


Segundo ele, outras estratégias para fazer com que o circo não funcione são as ameaças aos artistas e sustos dados às pessoas que comparecem na bilheteria, impedindo que o espetáculo marcado tenha público. Charleston relata que, no último sábado, o show das 21h foi desmarcado devido a uma provocação. “Quando a bilheteria estava cheia, com 12 carros na porta, chegou um carro com pessoas armadas gritando que era um assalto. Todo mundo saiu correndo e não teve show”, revela.


O Circo Moscou chegou em Brasília no dia 12 de outubro, mas, segundo seu proprietário, a estréia foi adiada em duas semanas, pois 70 artistas deixaram o circo. “Eu perdi a maior parte dos meus artistas porque eles foram ameaçados. Eles receberam recados informando que, se continuassem trabalhando comigo, não conseguiriam trabalho em mais nehum outro circo”, relata. O Circo Moscou fez apenas 12 apresentações desde que está na capital, após remodelar o show em função da diminuição do número de artistas.


Circos tradicionais


Para Charleston, os autores das ameaças são proprietários de circos tradicionais, que fazem parte de associações. “Já vieram pessoas me ameaçar, pessoalmente. Mas essas ameaças já não possuem um só autor. Elas estão na internet me difamando, me chamando de traidor. São todos circos ligados à UBCI (nião Brasileira de Circos Itinerantes)”, acusa.


A UBCI reúne cerca de dois mil circos, dos quais mil trabalham com animais. O presidente da entidade, Wladimir Spernega, do Circo Beto Carrero, nega a autoria das ameaças.
“Nosso negócio é circo e não agressão. Ninguém o está ameaçando. Se alguém quisesse pegá-lo, já teria feito. Todos sabem onde ele está. O fato é que ele está com medo e assustado. Com razão, porque todos estão desgostosos com ele. Mas acusar a UBCI é uma brincadeira de mau-gosto”, defende Spernega, que diz que os circos que não têm animais não os possuem por falta de estrutura, e não por opção.

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