Alvo de denúncias de negligência no caso da morte do bebê Ana Laura, de 4 meses, o Hospital Regional do Gama (HRG) agora é acusado pelos familiares de adulteração do prontuário da criança. A família responsabiliza também a equipe médica por um suposto erro na prescrição de medicamento.
No documento, a unidade de saúde não registrou o uso do remédio usado para tratamento de asma, o Berotec. Contudo, de acordo com os pais, a menina foi medicada com nove gotas do remédio, em um intervalo de uma hora. Em vez deste medicamento, o HRG informou que o bebê recebeu apenas Paracetamol. “Foi uma superdosagem de Berotec”, reclama o pai Bruno Jean Pereira da Silva, 23 anos.
O pai de Ana Laura obteve a cópia do prontuário ontem. O objetivo dos familiares é reunir todas as provas do caso para apresentar à Promotoria de Justiça do Gama. No documento, também é questionado o registro de duas internações, que nunca teriam ocorrido. “Minha filha nunca foi internada desde que saiu da maternidade. Pelo contrário, outros médicos sempre afirmaram que ela era saudável”, alega a mãe, Ana Aline Gomes. Entretanto, o HRG não detalha a razão das internações.
No prontuário há também a prescrição do xarope Prednisolona. “Os médicos disseram que era apenas um quadro de virose e que era para eu dar um xarope”, explica a mãe. Ainda no hospital, Ana Laura passou por nebulizações com o uso do Berotec. “O coração dela acelerou tanto que os batimentos chegaram a 215 por minuto”, diz Bruno.
Aline diz que não vai sossegar até que os responsáveis assumam o erro. “Eu prometi à minha filha que não vou me calar”, afirma.
O Jornal de Brasília tem acompanhado o drama da família desde o início da semana. O bebê deu entrada no HRG na sexta-feira à noite com sintomas de gripe. Após o uso do medicamento, Ana Laura teve febre alta e dificuldade para respirar. Ana Laura sofreu paradas cardíacas e morreu no sábado.