O Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia (GO) informou há pouco que a perícia realizada no corpo do pedreiro Ademar Jesus da Silva constatou “morte por asfixia”. Ele foi encontrado morto na cela onde estava preso na Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc), ontem (18). O pedreiro era autor confesso do homicídio de seis jovens em Luziânia, cidade goiana no entorno do Distrito Federal.
Durante coletiva de imprensa hoje (19), o promotor de justiça da comarca de Luziânia, Ricardo Rangel, e o procurador geral de justiça do estado de Goiás, Eduardo Abdon Moura, levantaram uma séria de questões relativas aos assassinatos ocorridos em Luziânia e o suícidio que marcou o possível desfecho para o caso.
Por determinação do Ministério Público, o corpo de Ademar Jesus da Silva não deve ser liberado do Instituto Médico Legal até que se concluam os laudos, que tem previsão para sairem em dez dias. Serão feitos exames na região do pescoço, no sangue e em alguns orgãos afim de se comprovar o suicídio por asfixia. Segundo informações preliminares do IML, não havia no corpo do pedreiro marcas de perfuração. Além disso, o exame toxicológico não constatou a ingestão de nenhuma substância.
Além das conclusões dos laudos periciais e depoimentos de presos e agentes penitenciários, será instaurada uma sindicância para avaliar o caso, e sendo constatada negligência do Estado, que deveria zelar pela integridade do preso, o mesmo poderá ser responsabilizado criminal e civilmente. Caso o estado seja condenado na vara cível, poderá ainda pagar indenização à família do acusado.
O promotor Ricardo Rangel assumiu a morte do pedreiro como um “prejuízo incalculável e prejudicial ao andamento das investigações”. Segundo o promotor, várias dúvidas ainda não haviam sido elucidadas. Com a morte do principal acusado algumas questões ainda pairam sem resposta, como o possível envolvimento de outras pessoas no caso. Um exemplo do dano decorrente da morte de Ademar é caso haja a comprovação de que os seis corpos encontrados não são das vítimas pressupostas. Os exames de DNA que comprovarão as identidades das vítimas do maníaco de Luziânia ainda não foram entregues à polícia e, assim, o caso prosseguiria sem resolução.
Ainda de acordo com o promotor, o Estado errou ao ter permitido que o acusado desse entrevistas à imprensa e depoimentos aos senadores da CPI da pedofilia antes de ser ouvido pelos investigadores do caso.
Com a morte de Ademar, abre-se a possibilidade de arquivamento do processo, mediante a comprovação da autoria dos crimes pelo pedreiro e da confirmação da falta de envolvimento de terceiros nos assassinatos.
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