Dione Maycon
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Luz, muita música e… dança! Abram as cortinas, que o show vai começar. O espetáculo é repleto de performances com movimentos ousados e conhecidos muldialmente, como o moonwalk, eternizado por Michael Jackson. Tudo isso fica por conta dos alunos do Centro de Ensino Especial 1 (CEE) de Samambaia. O projeto Dançarte conta com 24 alunos com algum tipo de deficiência, que participam de ensaios e oficinas pedagógicas e profissionalizantes.
“Eu não quero que o mundo os veja como alunos especiais. Eu quero que o mundo veja o quanto vocês são talentosos e cheios de brilho. Com o esforço de vocês, todo mundo vai ver o que vocês fazem de especial e o potencial que cada um tem. Vamos mostrar o que somos e deixar a arte nos levar”. Essa foi a recomendação da professora Sônia Ramalho, 43 anos, aos alunos atentos aos ensinamentos.
Sônia ama o trabalho que faz. Considera não haver nada no mundo capaz de pagar o sorriso no rosto de cada um de seus alunos. “É uma troca de conhecimentos. Às vezes, a gente se depara com pessoas que dizem que é bonito nosso trabalho, apenas por eles serem especiais, mas esse não é nosso intuito. Queremos que os reconheçam por suas habilidades e não por serem deficientes”, afirma a professora.
Os pais dos alunos apostam no projeto como um canal de lazer e entretenimento para os filhos, além de uma fonte de conhecimento e desenvolvimento pedagógico. A dona de casa Tereza de Souza, 58 anos, é mãe de Vera Lúcia, 31, que possui deficiência intelectual. Tereza ressalta a confiança que deposita no colégio e diz que o Dançarte ajudou a filha a perder um pouco da timidez.
“Enquanto eles trabalham no grupo e aprendem, o tempo para pensar em coisas negativas não existe. Isso faz muito bem a eles. A Vera nunca me deu trabalho e fico orgulhosa em vê-la interagindo com os colegas”, conta a dona de casa. Além de frequentar atividades no Centro de Ensino Especial 1, a aluna foi inserida no ensino regular, com estudantes sem deficiência. Para ela, o Dançarte faz parte da rotina de atividades extracurriculares.
Entre outras atividades que os alunos participam estão trabalhos de artesanato. Quanto às oficinas pedagógicas, a escola explica que a maior parte dos alunos entra e permanece por tempo indeterminado. Por isso, os professores precisam inovar diariamente.