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Brasília

Projeto Golfinho concilia educação e lazer para crianças em vulnerabilidade social

Arquivo Geral

06/09/2010 10h11

Educação, esporte, disciplina e cooperação são os princípios básicos do Projeto Golfinho, desenvolvido pela Companhia de Água e Esgoto de Brasília (Caesb) junto a crianças carentes. Dividido em três aspectos – esportivo (natação e aulas de educação física), pedagógico (auxílio nas atividades escolares) e comportamental (reforço aos valores educacionais) –, o projeto existe há oito anos e já recebeu cerca de 2,5 mil crianças em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, são atendidas 480 crianças de 6 a 12 anos.

No Distrito Federal, existem três núcleos, no Itapoã, no Paranoá e em Ceilândia. O projeto trabalha em parceria com escolas públicas e com o Centro de Orientação Sócio-Educativa (Cose). As escolas são responsáveis por encaminhar as crianças que mais necessitam de orientação. Por meio da Caesb, o Governo do Distrito Federal espera ampliar o núcleo de Ceilândia até o próximo ano. A ideia é adaptar o centro de aprendizagem em uma mini vila olímpica, com várias opções de esporte.

Uma das coordenadoras do projeto, Terezinha Viegas, explica que, com a construção de quadras, as crianças poderão ter outros tipos de atividades. “Com a ampliação da estrutura, esperamos aumentar o atendimento para a comunidade”.

O auxiliar administrativo do núcleo de Ceilândia, Maurício Silva, afirma que, no projeto, as crianças aprendem o verdadeiro significado de cidadania. Segundo ele, o aprendizado vale por toda a vida e pode ser usado no dia-a-dia. “As crianças começam a respeitar uns aos outros e melhoram o relacionamento familiar”, ressalta. “Outro fator importante é a melhora no rendimento escolar”.

As turmas do Projeto Golfinho são formadas com uma média de 40 alunos, que frequentam as aulas duas vezes por semana – às terças e quintas e às quartas e sextas. Por meio da Caesb, o GDF disponibiliza a cada aluno um kit com os itens básicos para que frequentem as aulas. A lista inclui bolsa, toalha, touca, garrafa, camiseta e sunga ou suquini. Os pais assinam um termo de compromisso, responsabilizando-se pelo material.

Metade na água, metade na sala de aula

Nas aulas, as turmas são divididas em duas. Enquanto uma parte fica na sala de aula, com atividades pedagógicas, a outra metade fica na piscina, com a aula de natação. O tempo médio de atividades nos núcleos é de três horas. Além das atividades, os alunos recebem dois lanches por dia. Cada criança fica em média dois anos e meio no projeto. O administrador do núcleo de Ceilândia, Maurício Silva, conta que muitos pais vão até o local para agradecer e dar retorno sobre a melhoria na disciplina dos filhos.

De acordo com o professor de educação física Rudy Fagner, 24 anos, que trabalha há mais de um ano no Projeto Golfinho, além da aula de natação, suas aulas incluem exercícios e brincadeiras com as crianças. Rudy conta que a maioria das crianças nunca teve contato com a piscina. “Em muitos casos, eles têm medo até da água, medo de se molhar”. Por isso, explica o professor, muitas vezes é necessário um trabalho de adaptação, para que, aos poucos, as crianças possam ir perdendo o medo e se empolgando com as aulas. “A adaptação na piscina é feita de forma individual. Cada um tem seu ritmo”, explica.

As aulas pedagógicas no núcleo de Ceilândia são ministradas pela professora Ana Carolina Santos, 24 anos, que trabalha há dois anos no projeto. Ela procura focar na inserção social na sala de aula, trabalhando valores que deverão ser usados na vida dos meninos e meninas participantes do projeto. Além disso, a professora relata a importância de desenvolver e incentivar a leitura e a melhoria na caligrafia das crianças.

Segundo Ana Carolina, a melhora na disciplina das crianças é notável. “Eles vão melhorando o vocabulário, usam com freqüência palavras gentis e se sociabilizam com mais facilidade”, afirma. Todos os dias, a professora repassa uma avaliação do comportamento das crianças para os pais.

Perto da borda e dos amigos

O garoto Rubens Monteiro, de 9 anos, já demonstra intimidade com a piscina. Ele pula na água com confiança e se esforça para seguir corretamente os exercícios orientados pelo professor. “Eu gosto de tudo aqui”, comemora. “Os amigos, os professores e tudo que aprendo aqui me faz bem”.

Ainda não tão adaptada, Rebeca Jaqueline, 11 anos, conta que a primeira vez que entrou na piscina foi no seu primeiro dia de aula no projeto. A menina, que ainda tem medo de arriscar, diz que gosta muito das aulas, mas que, aos poucos, está perdendo o medo da profundidade e do tamanho da piscina. “Hoje, só tenho um pouquinho de medo, mas sempre fico perto da borda e perto dos meus amigos”.

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