Bárbara Fragoso
Especial para o Jornal de Brasília

Cerca de 500 pessoas estiveram presentes na primeira edição do Festival Disco Xepa, na manhã de ontem, no Mercado Orgânico da Ceasa. O evento, criado pelo Rede Jovem Slow Food (Slow Food Youth Network), presente em várias cidades brasileiras e em outros países, conscientiza sobre o combate ao desperdício de alimentos. Quarenta voluntários, entre chefs de cozinha, estudantes e professores, recolheram a xepa – alimentos que sobraram da feira e iriam para o lixo – e transformaram em sopas, sucos e saladas, distribuídos ao público.
“Temos o objetivo de alertar que, diariamente, muitos alimentos são descartados, sendo que muita gente não tem o que comer”, ressalta uma das organizadoras, Ana Paula Jacques, professora de gastronomia. Em parceria com distribuidoras, foram doadas as verduras, frutas, hortaliças e ervas. “Tudo que sobrar daqui também já tem destino: instituições de caridade”, comenta.
Cardápio
Saladas de espinafre tiveram o toque especial de molhos de maracujá, manga e frutas vermelhas. Repolhos acompanharam erva- doce e folha de mostarda. “Tudo de primeira qualidade”, garante a chef Talita Ralix, 29 anos. Segundo ela, o desperdício está enraizado na cultura do País. “Qualquer pontinho preto ou machucado nos alimentos é motivo para jogá-los fora. Até uma folha que está um pouco estragadinha dá para aproveitar”, ressalta.
A aposentada Iara Caetano, 62 anos, levou a afilhada para saborear a gastronomia inovadora. “A comida é maravilhosa. O chutney de manga, levemente picante, está uma delícia”, avalia. O preferido foi o gaspacho de tomate.
Para Brenda de Oliveira, 14 anos, a preocupação com o descuido do desperdício será levada para casa: “Percebo que muita gente joga comida fora mesmo prestando. É muito importante não fazer isso”.