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Brasília

Projeto de inclusão digital chega a escolas rurais

Arquivo Geral

20/04/2009 0h00

A idéia é simples: informatizar as escolas públicas para melhorar o rendimento dos estudantes. E os resultados, shop surpreendentes. A Escola Digital Integrada (EDI), doctor  criada pela doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UnB) Cecília Leite, this foi responsável pela melhora do desempenho dos alunos nas escolas por onde passou, incluindo estados como Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Norte. Originou, também, uma lei que a institui no Distrito Federal. Além disso, recebeu o prêmio Telemar de Inclusão Digital de 2004.


Agora, o projeto concebido por Cecília, com a orientação do professor Emir Suaiden, recebe o nome de Corredor Digital Rural e chega às salas de aula de dez escolas rurais do Entorno do Distrito Federal. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Secretaria de Educação do GDF.  Cada uma das escolas rurais serão equipadas com dez computadores, uma televisão de plasma de 42 polegadas, um aparelho de DVD e um datashow. Seis escolas já foram equipadas.


“Os jovens precisam aprender a utilizar as ferramentas de informação. Mas, paralelo a isso, eles precisam desenvolver autonomia e senso crítico”, explica Cecília. Por isso, além das lições de informática, os estudantes aprendem a fazer pesquisas bibliográficas e são incentivados à leitura. Durante as aulas, são estimulados a se interessarem por temas culturais, artísticos e discussões atuais, como a globalização.


CAPACITAÇÃO DOCENTE 


Para que os alunos sejam bem orientados no uso dos computadores, é preciso que os professores  estejam preparados para ensinar. “O nosso primeiro grande passo é com os docentes. Eles receberão um treinamento de 40 horas presenciais e 80 horas a distância”, explica Cecília. Atualmente, a equipe chefiada por ela promove oficinas de capacitação.


A ideia é que, após o treinamento, cada um dos professores comece a criar as suas próprias atividades conectadas com a realidade de cada escola, utilizando os computadores. As experiências serão compartilhadas com outros colégios do projeto por meio da criação de softwares e implementação de redes de contato.    


A alfabetizadora Mariana Emerich, da Escola da Torre, em Brazlândia, se diz entusiasmada com a iniciativa. “O contato com o computador e com a internet vai alargar os nossos horizontes. As crianças da zona rural terão oportunidades mais parecidas com as da zona urbana.” A professora afirma, ainda, que o trabalho de capacitação pelo qual passará é muito importante. “Tenho conhecimento mínimo de informática, mas vou me esforçar muito para adquirir o domínio dessa ferramenta”, diz.


O secretário nacional de inclusão social do MCT, Joe Valle, afirma que a iniciativa resultará em uma grande melhora para a educação nas comunidades rurais. “A qualificação trará um aumento na autoestima dos professores. Um professor seguro oferece muito mais oportunidades aos seus alunos.”


PROJETO PILOTO


O primeiro local a receber a metodologia criada por Cecília Leite foi o Centro Educacional Gisno, escola pública situada na Asa Norte, no ano de 2002. Após a implementação do laboratório de informática com 30 computadores, uma turma de 44 alunos do 2º ano do ensino médio foi selecionada para ter aulas com a equipe do projeto. Os estudantes foram acompanhados até o final do terceiro ano.


“O retorno pedagógico foi fantástico. Alunos que costumavam tirar notas médias passaram a tirar 8 ou 9”, afirma Paulo Socha, diretor do Gisno na época do projeto. Segundo estatísticas apresentadas por Cecília, 70% dos alunos da turma experimental passaram na primeira tentativa de vestibular, sendo que a média habitual da escola não passava de 4%. Além disso, 100% dos estudantes foram aprovados no segundo e terceiro anos, e 75% com média acima de 6,5.


A entrada no mercado de trabalho também ficou mais fácil para quem participou do projeto-piloto. Segundo a pesquisa, 39,3% dos jovens terminaram o 3º ano programando em Java, possibilitando que muitos deles saíssem com emprego garantido.

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