Daianne Pedrosa da Silva aulas de dança no auditório da Escola Classe 8,em Taguatinga Norte. A atividade – com coreografias que estimulam a coordenação motora – corre em silêncio, e os passos são executados em total sincronia pelos 25 alunos. Animadas, as crianças respondem rapidamente aos comandos da monitora. Com 21 anos de idade, Daianne é uma dos 1,7 mil beneficiados pelo programa Bolsa Universitária. A estudante de Educação Física ingressou no projeto em 2008, após afastar-se da faculdade durante um semestre, sem condições de pagar a universidade particular.
No curso superior desde 2006, Daianne pagava apenas três disciplinas, com desconto de 30% ofertado pela universidade, quando perdeu o abatimento e foi obrigada a trancar a matrícula. Para ela, a Bolsa Universitária significa a realização de um sonho: cursar a universidade. “Eu iria me formar apenas em 2012. Não conseguia pagar nem um terço do valor da mensalidade”, explica Daianne, que mora em Taguatinga e dá aulas de dança como contrapartida – exigência do programa – na instituição de ensino, próxima à sua casa. “Mesmo com o desconto, pegava o mínimo de matérias. Agora, adiantei meu curso e já vou me formar no final do ano”.
Para ingressar no programa, os estudantes precisam comprovar no mínimo cinco anos de residência em Brasília, além de uma renda familiar de até três salários mínimos per capita. Coordenado pela Secretaria de Estado de Educação, através da Subsecretaria para Educação Integral, Cidadania e Direitos Humanos, o programa abate 100% do custo da mensalidade de cada aluno beneficiado. Do montante, 80% são bancados pelo Governo do Distrito Federal, enquanto os outros 20% ficam a cargo das próprias instituições de ensino. Em contrapartida, os estudantes bolsistas devem atuar como monitores em escolas de educação integral – diariamente, dedicam-se quatro horas a este trabalho.
Para Daianne, a contrapartida é também uma chance de trabalhar com crianças das escolas públicas, experiência que nenhum estágio lhe proporcionaria. “Amo fazer a contrapartida. Estou vivenciando a prática do meu curso”, comemora. “Essa é uma grande experiência e vai me ajudar a arrumar um emprego em qualquer escola particular”.
Apoio à educação integral
Apaixonada por dança, no início doprojeto a jovem teve a chance de colocar em prática o que aprendeu na universidade, dando aulas de psicomotricidade para as crianças das séries iniciais e para a educação integral. A prática, que não estava no currículo, serviu para o estímulo e o desenvolvimento dos alunos. Durante as aulas, a monitora utilizava bolas, arcos e música, trabalhando aspectos como a lateralidade, percepção da diferença entre direita e esquerda, ponto essencial a ser trabalhado na infância.
Hoje, na mesma escola onde Daianne presta a contrapartida, mais 12 alunos beneficiados pelo programa auxiliam no aprendizado das crianças, atuando como monitores em aulas de música, dança e esporte.
A coordenadora da Educação Integral na Escola Classe 8, Erenice Gomes, destaca a importância dos bolsistas na escola. “Sem os monitores, não existiria a educação integral, já que existe uma carência de professores”, explica Erenice. “Sem contar que os alunos os adoram se identificam com a energia deles (monitores)”.
Portas abertas para a faculdade
Os alunos ativos no segundo semestre de 2010 custam, em média, R$ 9 milhões por semestre para o GDF. Os beneficiados precisam cumprir algumas exigências como não serem reprovados em duas ou mais disciplinas e não ultrapassar o limite de até três faltas por mês na contrapartida.
Para Daianne, isso não é problema. Ao contrário: a estudante gostou tanto da experiência que o seu trabalho de conclusão de curso (TCC) abordará o tema a educação integral. Ao perceber que, nos intervalos, as crianças apenas corriam de um lado para o outro na escola, ela decidiu ocupar o tempo da meninada com aulas de dança, o que resultou na diminuição do número de acidentes.
Outro monitor da escola é Natã Kesler, 19 anos, que dá aula de flauta para os alunos da educação integral. “A contrapartida é o aprimoramento dos meus talentos, desde pequeno gosto de música agora posso ensinar o que sei para essas crianças”, explica o jovem, que cursa Comunicação Social na Faculdade Projeção.
Natã agradece a chance de poder cursar o ensino superior. “O Bolsa Universitária foi a melhor coisa que inventaram. Abriram as portas para quem não tinha faculdade”, celebra o estudante. “O jovem com o seu primeiro emprego não consegue pagar a faculdade. Vou aproveitar minha chance”.