Enquanto o sol se preparava para dar o posto para o anoitecer, 52 casais aguardavam para dizer o “sim” do matrimônio civil. Ao som dos flashes das máquinas fotográficas e dos ajustes sonoros da Orquestra de Câmara da Escola de Música de Brasília, mulheres vestidas de branco aproveitavam os últimos minutos para fazer selfies com a família e os noivos na entrada do Teatro Pedro Calmon, no Setor Militar Urbano, durante a 11ª edição do casamento comunitário, Programa Alma Gêmea.
Após 12 anos de relacionamento, a técnica em informática Stephane Leal, 30 anos, realizou o sonho de se vestir de noiva. “ Certa vez, me perguntaram se eu queria colocar silicone ou casar. Respondi que casar, claro. Estou realizando um sonho”, confessa. Segundo ela, os preparativos foram corridos, pois teve apenas um mês para deixar tudo pronto. “Estou feliz e muito ansiosa. Quando bati o olho em um vestido e provei, tinha certeza que era o que estou vestida”, comenta.
Há uma semana, a manicure Carina Lima, 29 anos, não consegue dormir por nervosismo. “Quando me vi no espelho hoje, me achei maravilhosa. Não imaginava que algum dia iria casar”, sorri. Depois de quatro anos juntos, a emoção dela e do marido vem à tona. “Tive certeza que era o homem da minha vida quando ele propôs o casamento”, acrescenta.
Por acaso
A ideia de assumir o compromisso do matrimônio veio por acaso, comenta o marido, Fabiano Nunes, 37 anos, cobrador rodoviário. “Não planejamos nada. Um dia ia ao trabalho e ouvi no rádio sobre o casamento coletivo. Quando cheguei em casa, comentei com ela. Nunca senti emoção igual, tirando o nascimento da nossa filha Maria Vitória, de dois anos”, destaca. Segundo ele, até a roupa de gala dá boa sensação.
Após dizer “sim” ao marido na Igreja Católica, em 1996, a dona de casa Rosilda Pereira, 54 anos, coloca, finalmente, o vestido de branco para casar-se novamente. E o noivo é o mesmo.
Na igreja, há 19 anos. No civil, só ontem
“Estamos juntos há 34 anos. Ainda não tínhamos oficializado no civil. Não é todo dia que a gente casa”, afirma Rosilda. Na véspera, ela esteve doente e não teve tempo de ficar ansiosa. “Ele veio para ficar e estaremos juntos até que a morte nos separe. Fui ao salão e ele fez o almoço”, diz.
O aposentado Vilmo de Freitas, 61 anos, lembra de como a conheceu, antes de namorarem. “Ela morava com um tio que alugava quartos. Eu era um rapaz solteiro e procurava um espaço para ficar. Um dia, ela estava estendendo roupas no varal e, quando me olhou, dei um sorrisinho. Rolou um clima e estamos juntos até hoje”, afirma. “Quando o vi pela primeira vez, o meu coração bateu forte”, acrescenta Rosilda.
Cerca de mil pessoas, entre convidados e autoridades, estiveram presentes na cerimônia, inclusive o governador Rodrigo Rollemberg. “O fortalecimento da família fortalece a sociedade e uma cultura de paz, de solidariedade, estabilidade. Isso tudo é muito positivo”, comentou.