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Brasília

Profissionais de segurança pública trabalham em outras funções no DF

Arquivo Geral

26/08/2010 8h03

Francisco Dutra

francisco.dutra@jornaldebrasilia.com

 

A promessa de mil novos policiais militares por ano, feita pelo Governo do Distrito Federal nesta semana, pode não resultar efetivamente em mais proteção para os brasilienses. Ao longo dos últimos anos, não é difícil encontrar casos de profissionais da segurança pública trabalhando em outras funções, algumas ligadas apenas ao serviço administrativo ou  em outros órgãos. Prova disso é o resultado de um recente relatório da Controladoria-Geral da União. Segundo o documento, 60 policiais civis estão trabalhando em outros órgãos do GDF.

 

Segundo o ex-secretário de segurança pública do DF, Roberto Aguiar, isso é decorrente da defasagem na estrutura dos órgãos de segurança do DF. “Temos uma estrutura organizacional velha. Coloca-se muita gente aonde não precisa e pouca gente aonde realmente precisamos de pessoal”, complementa Aguiar. De acordo com ele, essa falta de planejamento e gestão pode fazer com que os novos servidores anunciados para os próximos anos acabem sendo subutilizados. Além dos problemas internos dentro dos próprios órgãos, o especialista  lembra que  existe muita dificuldade de comunicação entre a Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

 

Para o especialista em segurança pública George Felipe Dantas, mesmo se o problema de desvio de função for superado, a decisão do GDF ainda está aquém do necessário. “O governador disse que serão contratados 1.350 policiais militares, mas ele poderia ter dito 2.350, 3.350. O DF é o lugar onde tem menor número de policiais per capita. Os postos comunitários foram instalados sem nenhum parâmetro técnico e efetivo, foi uma jogada política. Se você dividir 1.350 por 300 (postos comunitários), você terá quatro policiais por posto, então, essa é uma gota d’água no oceano. É uma quantidade irrisória diante dos números de postos criados no DF”, detalha.

 

Nas ruas, os brasilienses também se perguntam se o problema da segurança se resolve apenas com a contratação de mais PMs. “Aumentar apenas por aumentar não basta. Tem que se realizar um trabalho para que esses novos policiais trabalhem nas ruas”, sugere a vendedora Marcella Borges, 28 anos. Sobre as garantias para que os novos policiais trabalhem na linha de frente do combate ao crime, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que a questão compete à Polícia Militar. Quanto ao desvio dos policiais civis, a secretaria afirmou que já tomou as providências para sanar todas as irregularidades apontadas nos últimos relatórios da CGU. 

 

Leia mais na edição desta quinta-feira (26) do Jornal de Brasília.

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