Jovens de 17 anos entram na universidade e, seek com frequência, descobrem que estão no curso errado. Alguns mudam de curso, outros desistem da graduação. Ou acabam se transformando em profissionais frustrados. Para o professor de Ética e Filosofia Política Renato Janine Ribeiro, da Universidade de São Paulo, o problema está na estrutura dos currículos universitários. “Na graduação, o importante é não tentar vender apenas uma ciência como a salvação para todos os problemas”, diz.
Ribeiro esteve na 61ª reunião anual da SBPC nesta terça-feira, 14 de julho, para falar sobre o papel da Filosofia como suporte e orientação acadêmica. “A Filosofia pode ajudar as pessoas e perceberem que um conhecimento não é superior a outro”, opina. O professor defende o ensino superior em ciclos – aos moldes da Universidade do Grande ABC, em São Paulo.
O estudante poderia, no começo da graduação, cursar disciplinas como a própria Filosofia ou Arte. Com o passar do tempo, afirma Renato Ribeiro, os universitários aprenderiam a pensar alternativas. “Não se trata de formar pessoas que se adaptem ao mercado de trabalho. Mas sim ensinar a construir esse mercado.”
FLEXIBILIDADE – A professora Fernanda Sobral, do Departamento de Sociologia da UnB, defende a implantação de cursos que explorem a interdisciplinaridade. “As universidades poderiam aproveitar o Reuni (o programa de reestruturação das universidades federais) para, além de expandir, fomentar cursos temáticos”, afirma.
Fernanda – que participou da conferência com Renato Ribeiro – explica que algumas universidades já tomaram a iniciativa, como a Universidade Federal da Bahia e a própria UnB. “Com um currículo aberto e flexível, o estudante sabe como buscar o conhecimento e, consequentemente, se adapta às mudanças impostas pelo mercado de trabalho”, ressalta.
A UnB implantou neste ano quatro cursos com características interdisciplinares. Ciências Ambientais, Gestão de Políticas Públicas, Museologia e Engenharia de Computação – que estavam no último vestibular – são administrados por um consórcio entre diferentes unidades acadêmicas. “Mas ainda há muito para ser feito”, diz a professora Fernanda.