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Brasília

Professores da UnB discutem entrada de adolescentes na universidade

Arquivo Geral

05/08/2011 15h54

A admissão na Universidade de Brasília de alunos que ainda não concluíram o ensino médio suscita um questionamento: estariam jovens de 16 ou 17 anos preparados para entrar na universidade? Especialistas divergem sobre os efeitos do acesso antecipado que, no último processo seletivo, foi impulsionado por liminares concedidas a favor dos aprovados.

 

“Entendo que esses jovens não têm a maturidade necessária para aproveitar a universidade de forma plena”, avalia Michelangelo Trigueiro, professor do Departamento de Sociologia. Para ele, os alunos sofrerão ao serem obrigados a tomar decisões e assumir responsabilidades. “Ressalvados os direitos, a escolha adequada não se consegue com tão pouca idade”, diz. Entre os efeitos da falta de vivência, o professor inclui a evasão e a constante mudança de cursos.

 

Embora reconheça que as novas gerações têm mais possibilidades de acesso à informação, Michelangelo considera que o domínio das inovações tecnológicas não garante o conhecimento requerido para a vida acadêmica. “Todas as ferramentas são importantes. Mas vejo com preocupação à exposição aos computadores e o distanciamento dos livros e da própria formação social”, afirma.

 

Coordenadora do Laboratório de Desenvolvimento Familiar do Instituto de Psicologia, Maria Auxiliadora Dessen diz que a capacidade cognitiva não garante o sucesso dos jovens estudantes na universidade. “Essas pessoas são capazes tanto é que passam nas seleções. Mas muitas enfrentam dificuldades na socialização porque tem menos maturidade que o grupo”, analisa. “Percebemos muita frustração e descontentamento em função da falta de preparo para esta etapa da vida”.

 

Avaliação parecida tem a pesquisadora da Faculdade de Educação Eva Waisros. “Nosso sistema impõe a tomada de decisões a pessoas muito jovens”. Ela lembra que o acesso à educação básica também foi antecipado e que há uma pressão social para acelerar as etapas. “Alguns alunos se adaptam, outros têm sérias dificuldades em função da inexperiência”, diz.

 

A importância da experiência na vida universitária , entranto, não é consenso entre os especialistas. A professora de psicologia Zoia Prestes relativiza a importância da maturidade para ingressar na vida acadêmica. “A gente se prepara na vida fazendo, atuando”, afirma. Ela diz ser contrária a forma como é estruturado o sistema educacional do país “por enquadrar as pessoas como se todas fossem iguais”. Uma solução apontada para minimizar escolhas precipitadas seria, segundo a especialista, organizar os primeiros anos dos cursos de graduação com disciplinas mais generalistas para então oferecer as opções por uma carreira.

 

 

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