Por Arthur Leal
As aulas da rede pública de ensino do Distrito Federal serão paralisadas nesta quarta-feira (21), por decisão do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF). A categoria reivindica a retomada do diálogo com o Governo do Distrito Federal (GDF) e a resolução de problemas relacionados ao ensino público. Para marcar a mobilização, o sindicato realizará um ato pacífico em frente à Praça do Buriti.
Segundo o Sinpro-DF, a paralisação é motivada pelo que a entidade classifica como desrespeito à gestão democrática, perda da autonomia pedagógica e censura política nas escolas, com a proibição da fixação de cartazes do sindicato. A categoria também denuncia o esvaziamento da mesa de negociação pelo GDF e pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF). De acordo com a entidade, há mais de 20 dias não há diálogo com o governo, o que mantém pendentes pautas como o Calendário Escolar de 2027 e o Concurso de Remanejamento.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, a diretora do Sinpro-DF Márcia Gilda explicou as reivindicações da categoria. “Nossa exigência é que sejamos recebidos e que os projetos de recuperação e interventivos nas escolas sejam discutidos com a categoria, em vez de implementados de forma autoritária e unilateral. Precisamos de uma mesa de negociação permanente, com debate, discussão e participação dos profissionais da educação.”
Márcia também afirmou que o sindicato teve apenas uma reunião com o atual secretário de Educação do DF, Thiago Peixoto. Desde então, segundo ela, foram enviados diversos ofícios, mas nenhum recebeu resposta.

Sobre a mobilização na Praça do Buriti, a diretora destacou o caráter pacífico do protesto e a intenção de pressionar o governo a retomar as negociações. “Estamos organizando um ato pacífico em frente à Praça do Buriti para denunciar todos esses desmandos que estamos enfrentando. Será um espaço de falas, debate e diálogo, com o objetivo de sensibilizar o atual governo para que, de fato, abra negociações com o sindicato e com a nossa categoria.”
A governadora do DF, Celina Leão, comentou a paralisação durante uma agenda na manhã desta terça-feira (20). Celina afirmou que pretende dialogar com os professores, mas criticou a realização do ato às vésperas do segundo turno das eleições.
“A gente tem muito respeito pelos professores. Eles sabem do nosso compromisso. Então a gente pede para que eles não politizem esse momento. O ato é legítimo. A gente entende, mas pede para que os professores entendam que esse momento, a quatro dias da eleição, é muito ruim. A nossa comunidade escolar fica refém”, afirmou a governadora.
Em nota, a SEEDF informou que a adesão à paralisação é facultativa e que cabe a cada profissional decidir se participará do movimento. A pasta também garantiu que as aulas serão repostas e que os 200 dias letivos serão cumpridos, sem prejuízos à aprendizagem dos estudantes.
Na sexta-feira (23), os alunos da rede pública também ficarão sem aulas devido à preparação para o segundo turno das eleições. A suspensão abrange as escolas públicas e as instituições privadas que funcionarão como locais de votação, conforme previsto no Decreto nº 49.392, de 18 de setembro de 2026.