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Brasília

Problemas assim até quando?

Arquivo Geral

30/07/2013 10h00

A nova frota de ônibus está chegando aos poucos ao Distrito Federal. Contudo, os velhos problemas do transporte coletivo  continuam.  Exemplos disso são a falta de infraestrutura para os passageiros, os atrasos, o número insuficiente de veículos e falta de linhas. Há  usuários que relatam ter  esperado por mais de duas horas na parada de ônibus. E aos fins de finais de semana, a situação tende a ficar   pior. 

 

O funcionário público Edson Fagundes, 50 anos, é um dos muitos que se esforçam para trocar o carro de passeio pelo transporte de massa. A ideia é defendida por ambientalistas e praticada   em países de primeiro mundo. Mas para Fagundes, no DF, isso passa de uma tarefa que deveria ser simples para uma missão quase impossível. 

 

“Eu optei por deixar meu carro há um mês e seguir para o trabalho de metrô e, em seguida, usar o ônibus, já que não sou contemplado com uma linha direta. Entretanto, tenho passado sufoco”, diz Edson. Ele trabalha no Ministério da Justiça, na Esplanada, e andava cerca de 100 metros até o ponto de ônibus. Porém, em mais um dia de volta para casa,   foi surpreendido. 

 

“Eu presenciei o  caminhão com guincho chegando com os operários. Eles  pediram para que nós nos retirássemos da parada. Eles arrancaram a parada e no outro dia a confusão estava instaurada: os motoristas não sabiam onde poderiam parar”, revela.

 

Sem resposta

 

Agora, é preciso andar mais de 300 metros até uma outra parada. Edson já registrou a reclamação no DFTrans, mas  não recebeu uma resposta concreta. “Os operários realocaram a parada a 200 metros à frente, o que não faz sentido já que a tem outra parada bem próxima. Ou seja, são duas paradas a menos de 100 metros uma da outra”, conta.  E completa: “Além disso, colocaram a nova parada em cima da grama, muito recuada, a ponto de as pessoas nem usarem a estrutura porque não se tem visão dos ônibus se aproximando. O jeito que tem é ficar em pé no sol”, observa.

 

E se o tempo nos últimos dias é de sol, quando a chuva chegar, será outra preocupação. “Vai ficar ainda mais inviável, principalmente para quem trabalha no Ministério da Justiça, no anexo do Senado ou dos Transportes”, reclama o estagiário Claúdio Alves de Almeida, 18 anos. 

 

“Em horário de pico, ficam tantos ônibus parados que tampam a saída e se forma uma fila imensa de veículos”, conta. Ele também se queixa do recuo da parada. “Ela ficou tão desproporcional às demais que as pessoas nem estão usado”, destaca. 

 

Recursos gastos  sem justificativa

 

 

No local da antiga parada, na Esplanada dos Ministérios, restaram apenas os buracos e entulhos. “Eles nem fizeram questão de arrumar. Corre o risco de uma pessoa se machucar”, reclama o servidor Edson. E na nova parada, o concreto do piso se desfaz apenas em pisar nela e até mesmo com o toque dos dedos. “Isto é dinheiro público jogado fora, ninguém explica o porquê dessa mudança, qual o objetivo disso. A única coisa que parece é o gasto de verba pública sem justificativa concreta”, opina.

 

Enquanto isso, ontem, 30 novos ônibus começaram a rodar no Paranoá e Itapoã   com  destino à área central de Brasília. Embora não tenha respondido aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição, o Governo Agnelo vem tentando amenizar as reclamações dos usuários. O GDF promete  que, à medida que as bacias forem recebendo a totalidade dos carros, será feito um trabalho de racionalização e otimização do serviço. E que a frota será monitorada para que oferecer informação em tempo real para os usuários.

 

Ao todo, as duas cidades – que pertencem à bacia 2 – vão receber mais 90 veículos zero-quilômetro da Viação Pioneira. Os novos carros da empresa vão ser disponibilizados, gradativamente, também nas regiões do Jardim Botânico, Lago Sul, Candangolândia, Park Way, Santa Maria, São Sebastião e Gama. Até o final do ano, o Distrito Federal receberá aproximadamente três mil ônibus novos e terá uma frota totalmente renovada.

 

Horários previstos não são nada confiáveis
 
 
Além da falta de linhas, as empresas não cumprem os horários descritos nas tabelas. Isso é o que mais irrita Cleusa Pereira, 29 anos, auxiliar de serviços gerais. “Estou há meia hora esperando um ônibus para Samambaia. Todos os dias costumo passar por este sufoco”, afirma. Ela ressalta que há dias em que o tempo de espera pode chegar a uma hora e 20 minutos. “E quando os ônibus vêm, estão tão lotados que a gente se vê obrigado a entrar, porque se for esperar outro, o tempo perdido é incalculável e o cansaço é imenso”, lamenta. 
 
Se quem faz uma viagem de ida e volta por dia usando o transporte coletivo reclama dos problemas do sistema, o que dizer do promotor de vendas Francisco Carvalho, 27 anos, que usa os coletivos três vezes ao dia? Pois é, ele já contou: perde 40 minutos em espera em cada viagem. “Perco três horas do meu dia somente com atrasos”, contabiliza.
 
Ele trabalha há três anos indo de ônibus a três supermercados diferentes vender seu produto. “Fico estressado   pela demora, lotação nos horários de fluxo intenso, frota velha que acaba quebrando no meio do trajeto… Tudo isso complica a vida do usuário do transporte”, conta. 
 
 
Na visão do especialista na área de transporte e professor na Universidade de Brasília (UnB)  Artur Morais, só a troca da frota não resolverá o problema operacional do sistema de transporte coletivo. Ele afirma que é preciso  planejamento. “Por enquanto, o que está sendo feito é trocar um ônibus por outro. Por isso, os problemas têm continuado”, enfatiza. 
 
Para ele, a única maneira de se cumprir o horário dos ônibus é disponibilizar as faixas exclusivas. “Pode ser  ônibus que for, temos que incentivar o uso do transporte coletivo. Para isso, é necessário cumprir a lei para quem estaciona o carro em local irregular”, acredita.
 
 
O professor destaca a insatisfação dos usuários mesmo diante da mudança de frota. “A população estava esperando que todos os problemas fossem ser solucionados com os ônibus novos, mas gosto de destacar que o ônibus não é o todo de um sistema de transporte”, cobra. 
 sobre o transporte público na página 12

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