A nova frota de ônibus está chegando aos poucos ao Distrito Federal. Contudo, os velhos problemas do transporte coletivo continuam. Exemplos disso são a falta de infraestrutura para os passageiros, os atrasos, o número insuficiente de veículos e falta de linhas. Há usuários que relatam ter esperado por mais de duas horas na parada de ônibus. E aos fins de finais de semana, a situação tende a ficar pior.
O funcionário público Edson Fagundes, 50 anos, é um dos muitos que se esforçam para trocar o carro de passeio pelo transporte de massa. A ideia é defendida por ambientalistas e praticada em países de primeiro mundo. Mas para Fagundes, no DF, isso passa de uma tarefa que deveria ser simples para uma missão quase impossível.
“Eu optei por deixar meu carro há um mês e seguir para o trabalho de metrô e, em seguida, usar o ônibus, já que não sou contemplado com uma linha direta. Entretanto, tenho passado sufoco”, diz Edson. Ele trabalha no Ministério da Justiça, na Esplanada, e andava cerca de 100 metros até o ponto de ônibus. Porém, em mais um dia de volta para casa, foi surpreendido.
“Eu presenciei o caminhão com guincho chegando com os operários. Eles pediram para que nós nos retirássemos da parada. Eles arrancaram a parada e no outro dia a confusão estava instaurada: os motoristas não sabiam onde poderiam parar”, revela.
Sem resposta
Agora, é preciso andar mais de 300 metros até uma outra parada. Edson já registrou a reclamação no DFTrans, mas não recebeu uma resposta concreta. “Os operários realocaram a parada a 200 metros à frente, o que não faz sentido já que a tem outra parada bem próxima. Ou seja, são duas paradas a menos de 100 metros uma da outra”, conta. E completa: “Além disso, colocaram a nova parada em cima da grama, muito recuada, a ponto de as pessoas nem usarem a estrutura porque não se tem visão dos ônibus se aproximando. O jeito que tem é ficar em pé no sol”, observa.
E se o tempo nos últimos dias é de sol, quando a chuva chegar, será outra preocupação. “Vai ficar ainda mais inviável, principalmente para quem trabalha no Ministério da Justiça, no anexo do Senado ou dos Transportes”, reclama o estagiário Claúdio Alves de Almeida, 18 anos.
“Em horário de pico, ficam tantos ônibus parados que tampam a saída e se forma uma fila imensa de veículos”, conta. Ele também se queixa do recuo da parada. “Ela ficou tão desproporcional às demais que as pessoas nem estão usado”, destaca.
Recursos gastos sem justificativa
No local da antiga parada, na Esplanada dos Ministérios, restaram apenas os buracos e entulhos. “Eles nem fizeram questão de arrumar. Corre o risco de uma pessoa se machucar”, reclama o servidor Edson. E na nova parada, o concreto do piso se desfaz apenas em pisar nela e até mesmo com o toque dos dedos. “Isto é dinheiro público jogado fora, ninguém explica o porquê dessa mudança, qual o objetivo disso. A única coisa que parece é o gasto de verba pública sem justificativa concreta”, opina.
Enquanto isso, ontem, 30 novos ônibus começaram a rodar no Paranoá e Itapoã com destino à área central de Brasília. Embora não tenha respondido aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição, o Governo Agnelo vem tentando amenizar as reclamações dos usuários. O GDF promete que, à medida que as bacias forem recebendo a totalidade dos carros, será feito um trabalho de racionalização e otimização do serviço. E que a frota será monitorada para que oferecer informação em tempo real para os usuários.
Ao todo, as duas cidades – que pertencem à bacia 2 – vão receber mais 90 veículos zero-quilômetro da Viação Pioneira. Os novos carros da empresa vão ser disponibilizados, gradativamente, também nas regiões do Jardim Botânico, Lago Sul, Candangolândia, Park Way, Santa Maria, São Sebastião e Gama. Até o final do ano, o Distrito Federal receberá aproximadamente três mil ônibus novos e terá uma frota totalmente renovada.