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Brasília

Problema de rivalidade longe do fim

Arquivo Geral

23/04/2013 9h30

Aparentemente com a atuação enfraquecida, as gangues ainda se mantêm no Distrito Federal. A situação veio à tona após o ocorrido no último sábado, quando dois grupos se enfrentaram na Esplanada. Os jovens que pertencem a esses grupos costumam se confrontar por conta de simples diferenças territoriais. Mas as brigas por ideologias, embora sejam menos frequentes, também acontecem.  Esse teria sido o motivo do caso recente, que envolveu   grupos punks de Ceilândia. 

 

Em plena comemoração ao aniversário de Brasília, as duas gangues se enfrentaram, deixando  três pessoas feridas a facadas, incluindo um policial militar, conforme mostrou ontem o Jornal de Brasília. Até mesmo símbolos como a suástica nazista estavam representados entre os membros dos bandos.   

 

São Sebastião

Não é difícil encontrar as marcas de confrontos entre as gangues. Em São Sebastião, por exemplo, casas e comércios recebem pichações para demarcar os territórios dos grupos. Entre os moradores, existe bastante insegurança. “O negócio é feio à noite. Tem menino e menina menor de idade na rua, fazendo besteira todo dia. Quando dá 19h30, o comércio já está fechado”, desabafou uma moradora que não quis se identificar. “Aqui a gente nem adianta pintar os muros, porque eles vêm e picham de novo”, disse.

 

Uma comerciante conta que nunca sofreu assaltos, mas ouve relatos de vizinhos sobre a violência, muitas vezes de gangues. “Vejo criança de 12 anos  solta na rua. Moro aqui há 20 anos. Já foi tranquilo, mas hoje em dia dá medo”.

 

A caixa de uma mercearia diz que vários dos roubos no local foram praticados por jovens. “Está complicado. Só esse ano foram quatro vezes”, conta. Outro comerciante sofreu assalto recente. Foram oito roubos desde 2012. “É provável que tenham sido membros de gangues. No último, eram jovens, com aparência de menor de idade”.

 

Grupos se renovam

Segundo o delegado Érito Pereira da Cunha, da 30ª DP (São Sebastião), por mais que muitos dos membros das gangues já tenham sido presos, o problema permanece. “Todos os líderes já foram presos, mas é algo cultural. Enquanto o adolescente tiver rixa com quem mora em outros lugares, vai ocorrer confronto, por conta da localização. Eles matam por matar.”

 

Um dos fatos que colaboram com a ação policial é que os crimes praticados são usados pelos criminosos como conquistas. “Acontece muitas vezes de a gente prender membro de gangue que matou um inimigo, pelo fato de que eles permanecem na cidade e usam o assassinato para fazer fama”, revelou.

 

Mapeamento

A delegacia trabalha com a hipótese de que existam pelo menos cinco gangues em São Sebastião. A polícia fez um mapeamento das organizações (foto), que simboliza o resultado das investigações sobre o problema na região. Mas muitos dos líderes são mortos ou presos e a renovação é constante, o que faz com que a criminalidade se perpetue.

 

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