Uma imensidão de blu-rays, DVDs, coleções em formato box e até fitas VHS ocupou o Balaio Café (201 Norte) ontem à tarde. Cinéfilos do Distrito Federal expuseram, venderam e trocaram títulos de longa-metragens, séries e de música na I Prateleira Pipoca. O evento, gratuito, tinha apenas uma condição: todos os produtos deveriam ser originais.
Michel Toronaga, organizador do evento e editor do caderno de Cultura do Jornal de Brasília, revelou que um evento específico para filmes era inexistente na capital. “Costumo participar de muitas feiras e resolvi promover uma que movimentasse o mercado de cinéfilos, que é muito grande. Além de ser, também, uma oportunidade de intercâmbio cultural”, disse.
Além disso, o avanço das tecnologias fez com que muitos apreciadores ficassem com cópias repetidas em vários formatos. Ali, os excedentes puderam ser repassados a outros interessados.
Preço atrativo
Títulos consagrados foram comprados por preços muito abaixo do mercado, já que os produtos custavam R$ 10. Box com quatro produtos são encontrados por até R$ 200, mas na feira não passavam dos R$ 40. “Muita gente faz coleção de filmes e precisa de algum que não está mais no catálogo. Aqui, a pessoa pode encontrar o que procura”, destacou Toronaga.
Coleção de dez anos
Com 1,8 mil títulos em casa, o analista de sistemas Fernando Anselmo, 48 anos, ofereceu metade de sua coleção na Prateleira. “É só por falta de espaço para armazenar tudo isso. Mudei de casa para apartamento e reservei os que mais me apego”, explicou. Para ele, deveriam existir mais iniciativas como essa: “Hoje (ontem), vendi mais de 20!”.
Sua paixão por cinema começou há mais de dez anos. “Descobri que comprar era muito mais vantajoso que ir ao cinema, já que não tem ruído, podemos pausar e controlar o filme”, completou Fernando, que revelou já ter assistido a um mesmo filme mais de 30 vezes.
Rede de contatos
O publicitário Elcio Mendonça, 48 anos, é colecionador de filmes e se empolgou com o primeiro evento do gênero. “Mesmo que não leve muita coisa, vamos manter contatos e criar um network. Quem gosta, vai atrás exatamente disso para criar vínculos”, afirmou.
Ele saiu de lá com, pelo menos, um título nas mãos, que comprou de Valéria Oliveira, aposentada de 52 anos. Ela levou cerca de 60 títulos: “É uma iniciativa muito bacana. Existem muitos filmes antigos que as pessoas não puderam ver no cinema. Agora, podem levar para casa. É muito interessante”.
Aproximadamente 200 pessoas passaram pelo evento, que já tem planos para uma segunda edição.