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Brasília

Presidente do Sindivarejista estima prejuízo de 500 mil por conta do fechamento de shopping

Arquivo Geral

25/01/2014 9h37

Em entrevista ao Jornal de Brasília o presidente do Sindivarejista, Sindicato do Comércio Varejista, Edson de Castro, afirmou que os “rolezinhos” sempre existiram mas nunca tomaram a dimensão dos dias atuaias. Isto porque a internet facilita a comunicação entre os interessados.

Para Edson, cada centro de compras toma, juntamente com os lojistas, a decisão de abrir ou fechar as lojas. Ele explica que a decisão cabe somente a eles. “Não podemos intervir, estamos abertos para dialogar e tentar ajudá-los, mas essa decisão é de cada shopping”, esclare o presidente.

A estimativa de prejuízo para um shopping que fique um sábado inteiro fechado gira em torno de R$ 500 mil. “Isso sem contar a praça de alimentação, cinemas e outros fatores externos que acabam prejudicando, como o medo da população de querer frequentar esses lugares com o clima de tensão no ar”, afirma Edson.

Outra preocupação da categoria é a baixa nas vendas. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Aloshop), desde que os “rolês” foram iniciados, as vendas caíram em 25%.

Debate

Na próxima quarta-feira (29) a diretoria da Aloshop será recebida no Palácio do Planalto pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Eles irão expor reivindicações e pedir providências ao governo para garantir o patrimônio dos shoppings e a segurança de todos.

Os lojistas temem que, com a proximidade da Copa do Mundo, os “rolezinhos” e outras manifestações populares ganhem proporção que prejudique a imagem de Brasília e do Brasil no exterior.

Rolezinhos em outros shoppings

Vários “rolezinhos” estavam marcados para este sábado (25). No ParkShopping estava previsto um evento para o início da tarde, porém nenhuma movimentação diferente ocorreu no local. Havia mais seguranças nos corredores do que o normal, porém isto não alterou a movimentação do local. Em nota, a assessoria de imprensa do shopping afirmou que não irá fechar as portas e que respeita a legislação, especialmente a liberdade de ir e vir de qualquer indivíduo, desde que sejam assegurados os direitos dos cidadãos como um todo.

Manifestação no Brasília Shopping

No Brasília Shopping foi marcado um “rolezinho” que irá ocorrer em frente ao shopping no início da noite de hoje (25). O intuito é manfestar-se contra a Copa do Mundo. Segundo informações dos organizadores, ninguém entrará no shopping, visto que eles irão andando para o Estádio Mané Garrincha. A segurança no local foi reforçada e não há sinais de tumulto no local. O centro de compras funciona normalmente. No início da tarde, 50 pessoas se concentravam em frente ao Brasília Shopping.

Eles empunhavam cartazes com dizeres como “Não vai ter Copa! Rebelar-se é justo!” e “Se não tiver direito, não vai ter Copa”. Outra demanda dos manifestantes é por melhores serviços públicos.

Manifestantes em frente ao Iguatemi Shopping

Apesar do shopping não ter funcionado hoje, cerca 25 manifestantes se concentraram na frente do Iguatemi Shopping. Os jovens escutavam músicas e conversavam. Não houve qualquer tipo de tentativa de invasão do estabelecimento. Cerca de 25 seguranças com cinco viaturas do shopping e mais três viaturas da PolíciaMilitar, tripuladas com sete policiais faziam segurança no local.

O organizador do evento, Franklin Rabelo, 23 anos, estudante de Ciências Sociais informou que o “rolezinho” ocorreria em resposta a movimentação que ocorreuu em São Paulo na última semana. Franklin afirmou também que não concorda com o pocicionamento do shopping. “Isso só mostra que este centro de compras não sabe dialogar com a população”, declarou o estudante.

Três observadores da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB–DF)  também acompanharam o “rolezinho” do Iguatemi. “Estamos aqui como obervadores. A OAB tem posição neutra em relação às manifestações, mas se houver excessos por qualquer uma das partes acompanharemos na delegacia”, explicou o advogado Alexander Diniz de Paula.

Evento no Taguatinga Shopping reuniu cerca de 200 jovens

No Taguatinga Shopping, ao contrário do que ocorreu nos outros centros de compras do DF, houve um evento denominado “Swag”, que reuniu cerca de 300 jovens.Eles usavam  pijamas e pantufas e alguns deles homenageavam o cantor Justin Bieber. Segundo algumas pessoas que participavam do evento, os seguranças pediram para que eles se concentrassem em frente do shopping.Lá, algumas lojas contrataram seguranças particulares.

Shopping fechado

Por causa de um “rolezinho” marcado para a tarde deste sábado (25), o Shopping Iguatemi decidiu não abrir as portas.

Em comunicado, a direção do shopping informou que “respeita as manifestações democráticas e pacíficas, mas o espaço físico e a operação de um shopping não são planejados para receber qualquer tipo de manifestação”.

Em outro comunicado, este dirigido a lojistas e colaboradores, o shopping informou que havia a confirmação do comparecimento de pelo menos três mil manifestantes ao centro de compras no período da tarde. Mesmo de portas fechadas, o centro de compras reforçou a segurança.

A manifestação foi marcada, segundo organizadores do movimento, “para protestar contra a discriminação social”. Os protestos estão sendo organizados por jovens universitários ligados a partidos políticos de esquerda, como o PSOL e o PSTU.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou que irá monitorar os “rolezinhos” e o protesto contra a Copa, mas que só  irá informar o efetivo policial que será empregado após a confirmação do número real de participantes. Os policiais que irão acompanhar os atos estão orientados a ficar do lado de fora dos centros comerciais e, segundo a secretaria, só entrarão dentro dos estabelecimentos caso haja algum tipo de tumulto.

Presidente da Fecomércio discorda do fechamento dos shopping

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o presidente da Federação do Comércio no DF (Fecomércio), Adelmir Santana, afirmou que defende a manutenção do direito de ir e vir e percebe uma falta de orientação sobre como proceder, em casos como este. “O ambiente é destinado, em princípio, aos negócios e lazer; não sendo portanto o ambiente adequado para manifestações e protestos de posições políticas. Por ser um ambiente privado, também causa preocupações aos investidores, aos lojistas e frequentadores. Mesmo sendo, em princípio, pacíficos, podem ser contaminados com a presença de baderneiros. Isto gera uma situação de alto risco, e as instituições não sabem como agir em situações assim”, explica Santana.

Apesar de entender o posicionamento do Shopping Iguatemi, Adelmir não concorda com o fechamento do centro de compras. “O local precisa de público, não se pode fazer uma seleção de visitantes, sob pena de se praticar discriminação. Portanto, a situação é difícil e o fechamento me parece o menos adequado no momento”. 

O presidente da Fecomércio afirma também que a precaução dos shoppings, antes mesmo dos eventos ocorrerem, deu mais força ao movimento. “Acho que estão ‘sentindo dor de barriga antes de comer a melancia’ (sic) e tentando evitar um direito constitucional. Esses jovens foram formados para encontros nesses ambientes. O primeiro movimento na periferia de São Paulo foi apenas para passearem. Entendo que com as redes sociais tudo pode se transformar de uma hora para outra, naquilo que nem mesmo foi planejado, mas fechar o estabelecimento não vai resolver a questão” conclui Santana.

A  Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce) afirmou em nota que os empreendimentos têm a grande responsabilidade de zelar pela segurança e pelo bem-estar de todos. “Por isso, é essencial lembrar que seu espaço físico e sua operação não são planejados para receber, com segurança, eventos de porte ou manifestações de qualquer natureza. Por em risco o respeito à integridade física das pessoas e à liberdade de ir e vir, consagrada a todos pela Constituição brasileira. Nesse sentido, o setor tem buscado iniciativas para garantir a segurança e o bem-estar de seus frequentadores, funcionários e lojistas, sempre com o máximo respeito a todos os públicos, que são e serão sempre muito bem-vindos”.

Apesar de apenas o shopping Iguatemi ter decidido não abrir neste sábado, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), Édson de Castro, acredita que atos programados em dois outros shoppings da capital federal resultariam em perdas de ao menos R$ 1,2 milhão. “Com certeza, vai ter gente que não vai ao shopping temendo as manifestações”, disse. O evento, organizado pelas redes sociais e com mais de 3 mil presenças confirmadas, estava previsto para começar na tarde de hoje (25).

*Com informações de Eric Zambom e Suzano Almeida

 


 

 

 

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