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Brasília

Presença de garotas de programa incomoda os moradores do Plano Piloto

Arquivo Geral

20/04/2012 7h11

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Apesar de não ser considerada crime no Brasil, a profissão conhecida como uma das mais antigas do mundo desperta polêmica no Plano Piloto. Indignados com a atuação de garotas de programa na vizinhança, moradores e comerciantes da 713 Norte expõem a insatisfação por meio de faixas de protesto na Avenida W3. A situação também acontece em outros pontos de Brasília, a exemplo do Eixão, do Setor Hoteleiro Sul e Setor Comercial Sul. De um lado, estas mulheres argumentam que estão buscando meios para ganhar a vida. De outro, os moradores reclamam que elas estão atrapalhando a vida da população.

“Nós, moradores da 713 Norte, pedimos socorro urgente às autoridades. Garotas de programa invadem nossas residências. Hoje, elas usam nossas marquises como motéis. Amanhã, elas nos expulsam de nossas casas e usam nossas camas”, diz uma das faixas.  Moradores associam a presença das prostitutas a problemas de violência e drogas. Antes e depois dos programas, clientes buscariam traficantes em busca de entorpecentes. E, em alguns casos, as próprias mulheres fariam uso dos produtos.  

Ao passar em frente a uma das faixas, a moradora Flávia (nome fictício) concordou com os dizeres. “Eu queria era ter ajudado a fazer essa faixa. Tenho medo de morar aqui”, relatou. Flávia se queixa de que uma boa parte dos imóveis da vizinhança vem sendo alugada por garotas de programa, especialmente as quitinetes. ”Virou um motel”, reclamou a moradora, que planeja deixar Brasília em busca de locais mais seguros. Para moradores e comerciantes, a situação passou dos limites. Além de afastar consumidores, a presença delas também estaria desvalorizando os imóveis da região.

 Enquanto na 713 Norte a prostituição ocorre à noite e entre as quatro paredes dos imóveis, à beira do Eixão o comércio do corpo ocorre em plena luz do dia. Ontem à tarde, era possível flagrar prostitutas na altura das quadras 204 Norte e 107 Sul. No Setor Hoteleiro Sul e no Setor Comercial Sul,  as garotas buscam clientes à noite e pela madrugada. Nas ruas, os valores cobrados podem variar de R$ 20 a R$ 70. Em quitinetes e apartamentos, os preços saltam para R$ 150 a R$ 300, segundo informam algumas garotas.

Em busca de ganhar muito dinheiro em pouco tempo, Célia (nome fictício) começou a vender o corpo há um ano, em uma quitinete alugada na Asa Norte. Ela conta que, após sair de um casamento com um homem de classe média alta, escolheu esse caminho como meio de “chegar a um lugar melhor na vida”. “O preconceito é relativo. A mesma pessoa que pode ter essa postura (contra a prostituição) agora, pode daqui a meia hora estar com a gente”, diz.

 

 Quanto às queixas a respeito do uso dos imóveis, Célia vê o cenário de outra forma: “As reclamações devem partir dos síndicos. Porque quem aluga para a gente cobra o triplo do valor que seria para outra pessoa. Com o que pago, ele (dono) fica satisfeitíssimo”, provoca. Ela exemplifica que um aluguel que seria de R$ 600 pode chegar a R$ 1,8 mil, quando a inquilina é uma garota de programa.

Vendendo o corpo por R$ 300, ela não usa o dinheiro apenas pagar despesas próprias. Tal qual outras garotas de programa, a mulher sustenta uma filha e paga as mensalidades de uma faculdade.

Segundo Célia, muitas garotas de programa têm objetivos na vida e mesmo com as críticas da sociedade, não se sentem desvalorizadas. Para ela, uma das virtudes das garotas de programa é a sinceridade, o que, de acordo com a prostituta, as diferencia de outras mulheres.  “Eu troco prazer por dinheiro. É bem mais honesto”, dispara. Por isso, Célia não se arrepende da decisão. “Me arrependo de não ter entrado antes. Hoje tenho valor e custo caro”, brinca.

 

Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (20) do Jornal de Brasília.

 

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