
A Polícia Civil cumpriu 11 mandados de busca e apreensão contra uma quadrilha especializada em adulterar cheques e carteiras de identidade para aplicar golpes em comércios do Distrito Federal. O material era vendido em forma de kit e fabricado sob encomenda. Batizada de Cártula, a operação foi deflagrada na manhã desta terça (27), no Guará, em Ceilândia, Taguatinga, na Cidade Estrutural, em Santo Antônio do Descoberto e Goiânia (GO).
A ação se desenvolveu por meio de outras operações já realizadas no DF, e ocorre há um ano. Entre as mais de 300 carteiras de identidade apreendidas, a polícia encontrou cinco com fotos da mesma pessoa, mas com dados diferentes. Eram essas informações que os suspeitos utilizavam para fabricar os cheques, que tinham os dados originais removidos com o auxílio de uma micro-retífica.
“Foram apreendidos dois tipos de identidade falsa: uma com o papel verdadeiro, mas com foto alterada, e também documentos fabricados a partir de espelho”, disse o delegado da Corf, Jeferson Lisboa. “O que chamou a nossa atenção foi o nível de espelicidade dos criminosos. Eles verificavam até se a vítima possuía algum cheque sustado. Se sim, o documento era rejeitado”, informou o delegado.
Gráfica envolvida
A produção de carteira de identidade exige um tipo especial de papel, que não é de acesso ao público. No entanto, uma gráfica localizada no Setor de Indústrias Gráficas de Taguatinga era responsável por fornecer o material aos criminosos. No local, foi apreendida uma resma do papel.
Os principais prejudicados, segundo o delegado, foram os comerciantes, que vendiam seus produtos, recebiam o cheque, mas não conseguiam sacar o dinheiro. A polícia ainda não consegue afirmar o valor total do prejuízo provocado pelo crime, pois as investigações não foram finalizadas.
Esta foi a primeira etapa da operação. O delegado Jeferson Lisboa afirma que ninguém foi preso até o momento e que as investigações devem continuar. “Isso foi só o início. A gente já identificou as pessoas que produziam o material. O próximo passo é ir atrás das pessoas que utilizavam esses documentos. Elas devem responder por uso de documento falso e estelionato.
Durante as buscas foram apreendidos centenas de cheques, carteiras de identidade, uma impressora, uma micro-retífica, diversas carteiras de trabalho e CPFs.