Manuela Rolim e
Altieres Losan
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Parte de uma quadrilha especializada em roubar veículos no posto do Departamento de Trânsito (Detran) do Shopping Popular, desde o fim de março, foi presa em flagrante. Enquanto os proprietários dos carros entregavam documentos e pagavam taxas para o emplacamento ou a transferência dos automóveis, os criminosos agiam rápido. Os suspeitos aproveitavam que, em ambas as situações, é comum que a chave reserva esteja dentro dos veículos.
Ousados, três homens tentavam furtar o carro de um policial militar quando foram detidos, ontem. Luís Henrique do Nascimento Sena, 20 anos, e Carlos Eduardo, 27, foram levados para a 3ª DP (Cruzeiro) e depois recolhidos à carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). O terceiro envolvido fugiu.
Juntos, eles subtraíram sete carros e furtaram o interior de quatro, além da tentativa de furto do Fiat Grand Siena do policial, ontem. “Eles quebravam o vidro para pegar a chave reserva e levar o automóvel. Quando a chave não estava lá, furtavam o aparelho de som, o estepe, tudo que estivesse ao alcance”, informou a delegada-chefe Cláudia Alcântara.
Segundo ela, um dos presos, Luís Henrique, trabalha como porteiro em um prédio em Águas Claras e estava no seu dia de folga. “Que ironia. Ele trabalha fazendo a segurança dos moradores. Já Carlos Eduardo estava em liberdade provisória”, afirmou.
Cláudia completou que a dupla tentou atropelar o policial no momento do furto. Os dois chegaram a fugir com o carro da vítima e houve uma pequena perseguição na garagem do Shopping Popular. “Tivemos que atirar nos pneus para impedir que eles atropelassem o policial”, acrescentou.
Crimes em série
Mais cedo, eles ainda furtaram as placas de dois veículos no Guará e também o interior outros dois carros na estação do metrô do ParkShopping.
De acordo com a delegada, a dupla, que já tem uma ficha criminal extensa, agora vai responder por tentativa de homicídio, furto qualificado, associação criminosa, receptação de veículos e adulteração de sinal identificador. A pena passa dos 30 anos de reclusão.
“As investigações continuam. Temos um foragido e precisamos descobrir o que eles faziam com os automóveis. Já sabemos que os deixavam por alguns dias nos estacionamentos de prédios de Taguatinga e Samambaia”, concluiu.
Nas redes sociais, outra vítima da quadrilha desabafou. “Fiquei apenas com as chaves as placas na mão”, relatou um dentista, no Facebook. De acordo com ele, a ação teria durado cerca de duas horas, pela manhã. Para piorar, a autarquia se exime da responsabilidade por ser local público.
O JBr. não conseguiu contato com a vítima. Em seu relato público, ele contou que deixou o carro zero-quilômetro no subsolo, onde é feito o emplacamento, e se dirigiu ao local de pagamento. “Subi ao térreo com a Nota Fiscal para pagar as taxas, peguei a senha, fui atendido duas horas depois, paguei todas as taxas, peguei a placa e desci”, completou. O carro, porém, não estava mais lá.
O dentista disse ter procurado os atendentes. “Recebi deles a resposta de que deve existir uma quadrilha que rouba carros ali no subsolo. O mesmo funcionário relatou que, na semana passada, dois furtos ocorreram da mesma maneira. O local não tem câmeras nem registro de entrada, mesmo sabendo dos milhões que recolhem diariamente em tributos”, concluiu.
“O local onde ocorreu o caso é de responsabilidade do Shopping Popular. Na área de emplacamentos temos segurança, mas, se a pessoa estacionou fora, não podemos nos responsabilizar”, diz Kleybe Alves, diretora de Administração Geral do Detran-DF. “É como se a pessoa entrasse em um shopping para ir a uma loja, tivesse seu carro furtado e culpasse a loja”, compara.
Saiba mais
Segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública, as ocorrências de roubos de veículos cresceram 2,5% no primeiro quadrimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2015. Entre janeiro e abril, 1.850 casos foram registrados no DF.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília