Camila Costa
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Ter a impressão de que os empreendimentos da cidade foram construídos com quantidade de vagas em estacionamentos inferior ao necessário não é uma coisa muito difícil. Isso acontece porque muitas obras não tiveram o Relatório de Impacto de Trânsito (RIT) analisado ou aprovado pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran). Com deficit de funcionários para validar estes relatórios, o Detran chegava a reprimir os processos por seis meses, o que fazia com que muitos iniciassem as obras sem passar pela análise do órgão. No entanto, a partir de segunda-feira, o órgão terá o reforço de cinco engenheiros e quatro advogados para dar celeridade aos 80 processos protocolados, que aguardam alvará de construção.
Quando uma empresa resolve executar uma obra, além de todo o planejamento estrutural, ela precisa se preocupar também com o impacto que irá causar no trânsito local. É importante calcular o número de vagas que serão necessárias para suportar a demanda de veículos que será gerada, identificar saídas e entradas, assim como quantidade de balões e vias alternativas que deverão ser criadas para garantir que o fluxo do trânsito.
Segundo o diretor-geral do Detran, José Alves Bezerra, a contratação de novos funcionários é fundamental para conseguir atender a demanda de processos. Dos 80 que precisam ser analisados, dez chegaram nas últimas semanas, mas Bezerra afirma que o compromisso é liberar os 70 primeiros, inscritos desde o final de 2010. “Estamos na força-tarefa para atualizar estes processos e a demora é porque temos uma quantidade muito pequena de engenheiros, mas com estas nomeações vamos conseguir reduzir para 40 dias”, avalia.
Acordo
Até ontem, 65 processos já tinham sido estudados. O acordo é de que até o dia 20 de julho os primeiros serão entregues. Para garantir mais agilidade ao processo, Bezerra diz que fará uma reunião com a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Sedhab) e as entidades para apresentar um novo modelo de RIT. Hoje, o relatório é feito em uma construção por vez. “A proposta é que façamos um RIT para o setor inteiro. Um relatório para o Noroeste, um para o Gama, um para Samambaia etc. Isso acabaria com a demora de fazer um por cada obra”, avalia.
De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), o Detran irá, com este formato, voltar atrás em um entendimento errado do decreto. Segundo o presidente do Sinduscon, Júlio Cesar Peres, esta sempre foi a intenção do RIT.
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