Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br
O crescimento do número de assaltos a postos de combustível preocupa funcionários, donos dos estabelecimentos e clientes. Os trabalhadores precisam conviver com o medo de serem abordados em um novo episódio de ameaça. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) revelam que, em média, dois postos são assaltados por dia no DF. Somados os casos de janeiro a setembro e novembro – não foram divulgados os dados de outubro –, são 654 assaltos. Somente no mês passado, foram 61 registros.
Diante deste cenário, é cada vez mais difícil contratar empregados dispostos a trabalhar nestes estabelecimentos. Os pedidos de demissão são frequentes. Em um posto de gasolina na expansão do Setor O, em Ceilândia, apenas em outubro foram dez roubos e um prejuízo de R$ 10 mil. Ao longo do ano, foram mais de 30 crimes. No último, quatro câmeras foram levadas, além de dois computadores e um equipamento de identificação das bombas de gasolina, que custa R$ 7 mil.
Alterações
A supervisora do posto, A.F., precisou mudar alguns aparelhos – de fixos para móveis, retirados no fim do dia – com o objetivo de reduzir os roubos. Em uma da vezes, o vigilante chegou a ser rendido para que os assaltantes tentassem ter acesso ao cofre. Foi preciso contratar mais um vigilante para a área externa.
“Tivemos que mudar o perfil da rede e contratar mais homens, mas isso não adiantou. As pessoas não querem mais ficar aqui e estão pedindo demissão. De 12 funcionários, pelo menos quatro já saíram”.
As contratações não são nada fáceis. A. conta que quando o candidato tem um conhecimento maior da área, recusa a proposta por saber da criminalidade.
Apesar da crescente criminalidade na região, a supervisora do posto estima que em 90% dos casos a polícia não comparece ao local. “Em outubro, tivemos a presença de policiais por duas vezes. Nos dirigimos à delegacia e eles informam que diante de um efetivo pequeno, a investigação é prioritária para homicídios e latrocínios”, relata.
Falta policiamento nas ruas
O frentista A.L., 23 anos, quase foi alvejado durante um assalto. Depois do crime, que aconteceu antes das 20h, aumentou o medo. “Os assaltantes me revistaram como um policial e levaram R$ 500. Depois, dispararam duas vezes e por sorte os tiros não acertaram meu pé. A polícia só passa de vez em quando, abastece e vai embora”, relata.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do DF (Sinpospetro-DF), Carlos Alves dos Santos, explica que os crimes se tornaram rotina. “Não tem policiamento e os frentistas estão pedindo demissão. Aqueles que estão sendo intercalados em horário noturno faltam por medo”, ressalta.
Menores
O delegado-chefe da 24ª DP (Setor O), Marcelo Portela, responsável por uma das áreas nas quais a reportagem passou, diz que na maioria dos roubos a postos os autores são adolescentes, que simulam estar armados: “São pessoas que se arriscam por muito pouco. Esses indivíduos vão de capacetes ou de rostos cobertos, o que dificulta o reconhecimento”.