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Brasília

Postos de gasolina: insegurança que preocupa

Arquivo Geral

19/12/2012 8h50

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

O crescimento  do número de  assaltos a postos de combustível  preocupa funcionários, donos dos estabelecimentos e clientes. Os trabalhadores precisam conviver  com o medo de serem abordados em um novo episódio de ameaça. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) revelam que, em média, dois postos são assaltados  por dia no DF. Somados os casos de janeiro a setembro e novembro – não foram divulgados os dados de outubro –, são 654 assaltos. Somente no mês passado,  foram 61 registros.

 

Diante deste cenário, é cada vez mais difícil contratar empregados dispostos a trabalhar nestes estabelecimentos. Os pedidos de demissão são frequentes. Em um posto de gasolina na expansão do Setor O, em Ceilândia, apenas em outubro foram dez roubos e um prejuízo  de R$ 10 mil. Ao longo do ano, foram mais de  30 crimes. No último, quatro câmeras foram levadas, além de dois computadores e um equipamento de identificação das bombas de gasolina, que custa R$ 7 mil.

 

Alterações

A supervisora do posto, A.F., precisou mudar alguns aparelhos  – de fixos para móveis, retirados no fim do dia – com o objetivo de reduzir os roubos. Em uma da vezes, o vigilante  chegou a ser rendido para que os assaltantes tentassem ter acesso ao cofre. Foi preciso contratar mais um vigilante para a área externa.

 

“Tivemos que mudar o perfil da rede e contratar mais homens, mas isso não adiantou. As pessoas não querem mais ficar aqui e estão pedindo demissão. De 12 funcionários, pelo menos quatro já saíram”.

As contratações não são nada fáceis. A. conta que quando o candidato tem um conhecimento maior da área, recusa a proposta por saber da criminalidade. 

 

Apesar da crescente criminalidade na região, a supervisora do posto estima que em 90% dos casos a polícia não comparece ao local. “Em outubro, tivemos a presença de policiais por duas vezes. Nos dirigimos à delegacia e eles informam que diante de um efetivo pequeno, a investigação é prioritária para homicídios e latrocínios”, relata.

 

Falta policiamento nas ruas

O frentista A.L., 23 anos, quase foi alvejado durante um assalto. Depois do crime, que aconteceu antes das 20h, aumentou o medo. “Os assaltantes me revistaram como um policial e levaram R$ 500. Depois, dispararam duas vezes e por sorte os tiros não acertaram meu pé. A polícia só passa de vez em quando, abastece e vai embora”, relata.

 

O presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do DF (Sinpospetro-DF), Carlos Alves dos Santos, explica que os crimes se tornaram rotina. “Não tem policiamento e os frentistas estão pedindo demissão. Aqueles que   estão sendo intercalados em horário noturno  faltam por medo”, ressalta.

 

Menores

O delegado-chefe da 24ª DP (Setor O), Marcelo Portela, responsável por uma das áreas nas quais a reportagem passou, diz que na maioria dos roubos a postos  os autores são adolescentes, que simulam estar armados: “São pessoas que se arriscam por muito pouco. Esses indivíduos vão de capacetes ou de rostos cobertos, o que dificulta o reconhecimento”.

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