Aproximadamente cem pessoas vestidas de branco, carregando bandeiras com pedidos de justiça e paz, caminharam pelas vias do Guará II, próximo à QE 40. A quadra foi palco da morte de Isaque Nilton Alves Boschini, espancado por usuários de drogas na última quarta-feira.
Parentes, amigos e pessoas que compartilham a dor da família pediram que as autoridades tomem providências quanto ao tráfico e o uso de drogas na região.
“Ele estava defendendo a família dele, pois quando chegou em casa, esses homens estavam saindo do prédio. Se eles estivessem na rua, o Isaque não teria dito nada, mas chegou ao ponto de o tráfico estar dentro do prédio da gente. Ele estava tendo uma atitude de homem, que protege a família”, desabafa a esposa de Isaque, Gabriela Araújo.
A indignação da família não tinha fim. A mãe de Isaque, Joelita Alves Cardoso Boschini, questionou a ausência do Estado: “Onde estão os governantes? Pelo amor de Deus, cuidem do povo desse país, desta cidade. O povo está com medo de sair de suas casas por causa dessa violência, das drogas”.
“O que nos deixa indignados é que ele era um rapaz trabalhador, que foi em defesa de sua família, e acabou morrendo”, conta Ana Carla Pereira da Silva, prima da vítima.
Solidariedade
Por onde passavam, os manifestantes recebiam o apoio da população, que se aglomerava nas portas das casas, pelo comércio e nas janelas dos prédios e se solidarizavam com o protesto. “Estamos juntos!”, gritou um senhor que estava em uma padaria.
“A família ainda está abalada com tudo o que aconteceu. Foi um motivo tão banal que ainda não conseguimos racionalizar o que está acontecendo. Acredito que essa manifestação seja não só por um motivo de paz, mas também de reflexão de toda a sociedade sobre como estamos”, disse a prima de Isaque, Márcia Neri.
Oração
A chegada à praça da onde foi encerrada a caminhada foi marcada por pedidos de justiça e uma forte salva de palmas, dedicadas a Isaque. A irmã do rapaz, Isabel Bischini, bradou: “Que a morte do meu irmão não seja em vão e que o nosso protesto possa mudar essa cidade, esse país”.
Diante do posto policial da região, os presentes formaram uma grande corrente e de mãos dadas rezaram por Isaque e pela paz. De forma copiosa, a mãe e a esposa de Isaque choravam enquanto recebiam o abraço dos presentes.