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Brasília

População arca com despesas dos buracos em Vicente Pires

Arquivo Geral

16/03/2015 6h50

A rotina de desviar de buracos não é novidade para quem passa em Vicente Pires diariamente. O descaso se revela perto das casas e também para quem anda a pé ou de carro. Curtas e longas caminhadas se tornam tarefas quase impossíveis e as enxurradas na região se tornaram o pesadelo dos moradores.

O serralheiro Cleverson Carlos, 57, residente da Rua 10, conta que a população tem arrecadado verba do próprio bolso para tomar medidas urgentes. “O povo está saturado. O jeito é tapar buraco com nosso dinheiro. A gente nem se ilude com possíveis mudanças, porque isso não vai melhorar”, comenta. 

O morador afirma que  a dimensão dos perigos e estragos não pode ser observada somente quando o clima está ensolarado. “Quando chove e o chão fica alagado. Não é possível ver os buracos e os quebra-molas. Frequentemente, vemos acidentes”, ressalta. 

Após acompanhar de perto a recente  confusão entre a comunidade e a ex-gestora local, Maria Celeste Liporini, exonerada no último dia 4, Cleverson não tem perspectiva otimista. “As pessoas só  estavam pedindo a colaboração financeira da vizinhança para  cuidarem do estado crítico que vivenciamos aqui”, lembra. Segundo ele, Celeste  não gostou e acionou a Polícia Civil. “Eles foram parar na delegacia e ela teve que largar o cargo. Parece piada”, disse.

Há poucos dias, o servidor público Paulo Santos, 30, tentou contratar um serviço de transporte escolar para o filho, mas não obteve êxito por conta do local onde mora. “Disseram que não passariam nas ruas 3 e 10, porque correriam o risco do carro quebrar e que seria um prejuízo para eles”, lembra. 

Saiba mais
O vice-governador do Distrito Federal, Renato Santana, informou, no último dia 5,  um  mapeamento dos pontos  mais críticos da região administrativa que precisam de mudanças urgentes.
  Segundo ele, é preciso que o processo de licitação seja concluído  para resolver a infraestrutura. A estimativa de investimento na região é de  R$ 504 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento.
 
Rotina difícil complica vida de moradores
A moradora Seomara de Fátima Lopes, 50, fala sobre a dificuldade cotidiana para ir à padaria e fazer os percursos de ida e volta da faculdade. “É muito ruim. Quando chove, há o perigo de sermos  levados pela água”, diz ao observar os estragos deixados pela chuva, na última semana. “A situação estava tão tensa que  a chuva forte levou  a placa do carro. Acredito que quem administra nem passa aqui para ver”, 
 
Dois amigos, moradores do Condomínio 178 da Rua 8, resolveram arriscar uma brincadeira inovadora ao  andar de skate entre as crateras. “Quisemos andar com emoção hoje”, comenta Fernando Farago, 12 anos. Segundo o vizinho, Gustavo Henrique Silveira, 12 anos, a diversão seria mais proveitosa se o chão estivesse asfaltado. 
“O problema é que dá medo de cair no buraco. O skate e a bicicleta são os nossos meios de transporte. O solo liso é  mais legal para andar , mas o que a gente pode fazer?”,  lamenta. 
 
Procurada pela reportagem, a administração local não respondeu, até o fechamento desta edição,  aos questionamentos a respeito das previsões para a recuperação das vias na região.

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