A rotina de desviar de buracos não é novidade para quem passa em Vicente Pires diariamente. O descaso se revela perto das casas e também para quem anda a pé ou de carro. Curtas e longas caminhadas se tornam tarefas quase impossíveis e as enxurradas na região se tornaram o pesadelo dos moradores.
O serralheiro Cleverson Carlos, 57, residente da Rua 10, conta que a população tem arrecadado verba do próprio bolso para tomar medidas urgentes. “O povo está saturado. O jeito é tapar buraco com nosso dinheiro. A gente nem se ilude com possíveis mudanças, porque isso não vai melhorar”, comenta.
O morador afirma que a dimensão dos perigos e estragos não pode ser observada somente quando o clima está ensolarado. “Quando chove e o chão fica alagado. Não é possível ver os buracos e os quebra-molas. Frequentemente, vemos acidentes”, ressalta.
Após acompanhar de perto a recente confusão entre a comunidade e a ex-gestora local, Maria Celeste Liporini, exonerada no último dia 4, Cleverson não tem perspectiva otimista. “As pessoas só estavam pedindo a colaboração financeira da vizinhança para cuidarem do estado crítico que vivenciamos aqui”, lembra. Segundo ele, Celeste não gostou e acionou a Polícia Civil. “Eles foram parar na delegacia e ela teve que largar o cargo. Parece piada”, disse.
Há poucos dias, o servidor público Paulo Santos, 30, tentou contratar um serviço de transporte escolar para o filho, mas não obteve êxito por conta do local onde mora. “Disseram que não passariam nas ruas 3 e 10, porque correriam o risco do carro quebrar e que seria um prejuízo para eles”, lembra.