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Brasília

Ponte do Bragueto com problemas estruturais

Arquivo Geral

14/01/2014 7h12

Eric Zambon

Especial para o Jornal de Brasília

 

A Ponte do Bragueto foi motivo de atenção, pelo menos, por duas razões ontem. Uma delas foi quando parte do forro inferior desabou sobre a pista que passa por baixo, a DF-004, na altura do Km 0, sentido Asa Norte. A segunda, logo após o ocorrido, foi a equipe de manutenção da companhia que presta serviços ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) fazendo o trabalho sem os equipamentos de segurança adequados.

Apenas um dos trabalhadores usava luvas, e ninguém estava de capacete. O DER, por meio da   assessoria, alegou que o servidor com luvas era o único envolvido com o serviço de limpeza da cratera na parte de baixo da ponte. Os demais teriam a função apenas de recolher o material que se desprendeu da estrutura, operação esta negligenciada, já que grande parte do concreto foi jogada às margens do Lago Paranoá.

Altura máxima

A queda de lascas do forro inferior da ponte teria acontecido devido à imprudência de um motorista. “Um caminhão raspou o teto. Se os veículos não obedecerem à sinalização, vai acontecer de novo”, informou o superintendente de trânsito do DER, Murilo Santos, referindo-se à placa que delimita a altura de quatro metros para o automóvel poder transitar por ali. “Vamos limpar o buraco e tirar as partes soltas. Não há risco para os demais carros”, afirmou.

Condutores desinformados quanto à altura do próprio veículo causam transtornos na ponte há um bom tempo. Nos últimos dois meses foram pelo menos dois caminhões entalados. As marcas e riscos, porém, indicam que o número de automóveis que não chegam a ficar presos, mas também excedem os parâmetros e mesmo assim circulam por ali, deve ser bem maior.

Mais cuidado

No caso de ontem, o trânsito na região, que serve de acesso à Asa Norte, não foi prejudicado pois a interdição de duas faixas da via pelo Departamento de Estradas e Rodagem aconteceu no meio da manhã, quando a movimentação é menor em relação aos horários de pico. 

O departamento, no entanto, informou que por ali passa uma média de 19 mil carros diariamente e os motoristas, principalmente caminhoneiros, precisam ter mais cuidado para evitar congestionamento.

Trabalhadores em risco

O trabalho de limpeza na ponte, de responsabilidade da Interativa Serviços, foi feito de maneira temerária pelos operários. Em contato direto com vigas de aço e concreto, apenas um trabalhador usava luvas de proteção e  nenhum usava capacete e vestia máscaras ou óculos para evitar contato direto com o pó, como mostra a imagem flagrante do JBr. “Eles estavam ‘roçando’ quando fomos chamados”, admitiu, sem se identificar, o chefe da equipe.

Reparar é preciso

Apesar de a alegação de órgãos oficiais ser de que o problema na Ponte do Bragueto foi causado por um caminhão que não respeitou o limite de altura, especialistas dizem que as causas vão além disso.

Na semana passada, o Jornal de Brasília mostrou que as pontes e viadutos do DF precisam de manutenção, inclusive a do Bragueto, que tem diversas rachaduras. “São mais letais do que os buracos, pois a partir delas toda a estrutura começa a se romper”, avaliou o professor da Faculdade de Engenharia da Universidade de Brasília (UnB), Dickran Berberian, que também apontou para as ferragens desgastadas à mostra.

Sem data definida

Na época da reportagem, o secretário de Obras do DF, David José de Matos, admitiu não haver um calendário de reparos e que a manutenção é feita “conforme a necessidade”. 

Procurada novamente, a pasta destacou a dificuldade em trabalhar com datas devido às licitações, que podem ser demoradas, e ressaltou a existência de 22 ações em andamento, entre projetos e obras, para revitalizar pontos por todo o Distrito Federal, mas sem especificar quais seriam esses locais.

Versão Oficial 

O superintendente do DER, órgão responsável pela Ponte do Bragueto, Murilo Santos, explica que está prevista  a construção de uma ponte paralela para escoar o trânsito enquanto a mais antiga é reparada, mas isso deve demorar. “A situação não é emergencial. Se fosse, faríamos a intervenção”, afirma Murilo.

 “Para caracterizar algo emergencial, teria que ser algo assim: ‘Rompeu, temos que agir’. Mas não é o caso. Os órgãos de controle não aceitam se não for assim”, completa. Ele ainda diz que a conclusão do processo licitatório relativo às obras no Bragueto está parada devido a um impasse. Uma das empresas concorrentes estaria contestando, na Justiça, a documentação apresentada pela vencedora e nada poderia ser feito até isso ser resolvido.

 

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