Da Redação, com informações do TJDFT
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O Tribunal do Júri de Brasília condenou o policial federal Ricardo Matias Rodrigues a 24 anos, nove meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por homicídio e por lesão corporal. O julgamento se estendeu por toda a terça-feira (30) e terminou de madrugada, às 4h50.
Os crimes ocorreram em meio a uma festa no interior do barco Lake Palace, ancorado no píer do Clube Motonáutica, no Setor de Clubes Esportivos Norte, em Brasília, no dia 8 de outubro de 2016. Cláudio Müller Moreira foi assassinado pelo policial, que feriu ainda Fábio da Cunha Correia.
O réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e lesão corporal que causou incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias e perigo de vida.
A decisão do magistrado teve força de mandado de prisão e foi determinado que o réu fosse encaminhado para a carceragem da Polícia Federal de Brasília para o cumprimento provisório da pena.
Cabe recurso da sentença.
Relembre
O policial federal e mais quatro pessoas que estavam na festa no momento do crime prestaram esclarecimentos para a polícia. As versões foram diferentes em alguns momentos, mas o ponto em comum é o motivo do início da discussão: duas mulheres teriam brigado. “Fran”, a aniversariante, discutiu e teria agredido “Val”, esposa de Cláudio.
Renata Andrade Silva, esposa do policial federal e promoter, viu a confusão no centro do barco e tentou apaziguar os ânimos para entender o que estava acontecendo. Neste momento, segundo a versão de Renata, Cláudio e Fábio teriam a empurrado com muita força. Ainda de acordo com Renata, ao ver a agressão sofrida pela esposa, Ricardo sacou a arma, se identificou como policial e pediu para que os dois rapazes ficassem parados. Ordem não obedecida por Cláudio, que ao reagir levou um tiro no abdômen. Após o primeiro disparo e de ver Cláudio ferido no chão, Fábio também foi para cima do policial, que reagiu efetuando o segundo disparo.
As outras duas testemunhas dizem não ter visto as cenas que antecederam os disparos. Elaine Alves Santos, esposa de Fábio, explicou que, de repente, escutou os tiros e reconheceu seu marido entre os feridos.
A quarta testemunha seria Françueldo Dantas de Souza, marinheiro do barco Lake Palace. O marinheiro também não viu o policial federal apontar a arma para as vítimas, mas ouviu três disparos.