Raphaella Sconetto
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Dois policiais civis são suspeitos de participarem de uma organização criminosa de grilagem e parcelamento irregular de terra, no Distrito Federal. Além deles, oito pessoas são investigadas por vender lotes públicos no Núcleo Rural Ponte Alta Norte, no Gama. O grupo atuava desde 2015 e esperava lucrar mais de R$ 15 milhões com o esquema. Cinco foram presos na madrugada desta quinta-feira (22), mas três seguem foragidos.
Não há muitos detalhes sobre os dois policiais civis. Apenas que um era aposentado e outro da ativa. A Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) não repassou nomes e em quais delegacias eram lotados. De acordo com a delegada-chefe da Dema, Marilisa Gomes, eles serão investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Conforme as investigações, o mesmo grupo atuava em duas chácaras diferentes. A primeira tem dois hectares de área e a segunda é de 10,3 hectares, resultando 123.000 m². Em ambas, o grupo vendia lotes de 400 m². “No Condomínio Flores do Cerrado, o maior, os lotes eram vendidos pelo valor de R$ 65 mil. Já no Flamboyant, era R$ 35 mil. Neste último, eles ofertavam pela internet em um site de vendas. Mas também colocavam estacas com faixas de anúncio”, explica a delegada.
No Condomínio Flamboyant, ainda há apenas cinco casas construídas. No entanto, os lotes estão delimitados por arames e há até espaço para a circulação de veículos. No residencial Flores do Cerrado, há muitas casas de alvenaria já levantadas. “O Flores do Cerrado é o que está pior”, resume Marilisa.
Área pública
As duas chácaras são lotes públicos da Terracap e do governo e estão localizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central e Área de Proteção de Manancial (APM) Olho D’água. “É uma área onde passam diversas bacias hidrográficas por baixo do solo. Então, com a compactação do solo através das edificações, aquilo tudo corre risco e todo mundo pode ser prejudicado”, afirma a delegada da Dema. “O próprio Plano de Manejo proíbe o parcelamento de terra. Não é possível fazer regularização”, completa.
A Dema notificou os órgãos responsáveis pela fiscalização e para fazer a retirada das famílias que moram nos lotes, como Agência de Fiscalização (Agefis), Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e Terracap.
Presos
Na madrugada desta quinta-feira (22), a Polícia Civil cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Águas Claras, Recanto das Emas, Gama, Vicente Pires, Ceilândia e Riacho Fundo. Nas residências e escritórios do grupo, foram apreendidos cheques, mapas, notas promissórias e diversas cessões de direitos, além de computadores e celulares.
- PCDF/Divulgação
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Além da grilagem de terra, os oitos suspeitos vão responder pelos crimes de dano ambiental, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Se somadas as penas, eles podem cumprir até 33 anos de reclusão.
Presos: Rogério Spindola Mariz, Marilda Cidrine de Paula, Flávio José de Moura, Elaine Cristina da Silva e Gerson Rodrigues da Silva.
Foragidos: Francisco Carlos Coelho, Alexsandro Freire de Holanda e Cleson Onofre da Silva Gomes.


