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Brasília

Polícia promete investigar denúncia

Arquivo Geral

04/03/2013 8h30

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A informação de que uma possível ameaça do ex-marido de Fernanda Grasielly não tenha sido registrada pela 33ª DP (Santa Maria) despertou o interesse do diretor da Polícia Civil, delegado Jorge Luiz Xavier, que anunciou até a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias. De acordo com a mãe de Fernanda, uma das mensagens dizia: “Voltei para aterrorizar”.   

 

O delegado afirmou que todas as delegacias precisam registrar qualquer tipo de ameaça, desde as menores até as mais sérias. Para ele, o teor da possível mensagem que a vítima pode ter recebido do ex-companheiro retrata uma ameaça gravíssima, que apesar de se tratar de questões familiares, envolve um crime. 

 

“Se a família trouxer essa informação, a situação sobre a hipótese de ausência do registro da denúncia será apurada, e o responsável pode responder administrativamente pelo ocorrido, mesmo se for agente, escrivão ou até delegado”, garantiu.

 

Diligências

Segundo o diretor-geral da PCDF, pode ser feita a abertura de sindicância para averiguar o ocorrido. Ele explicou que faz parte das diligências a extração de todas as informações contidas no celular das vítimas. Caso seja encontrada a mensagem, o conteúdo deverá fazer parte do julgamento como mais uma prova de premeditação.

 

Escrivão não teria feito registro correto

A tragédia que tirou a vida da jovem Fernanda Grasielly de Almeida Alves, 25 anos, poderia ter sido evitada se a denúncia de perseguição e ameaça tivesse sido devidamente registrada na primeira semana de fevereiro. É que pensa o irmão da vítima Rhideyk Almeida, 28 anos.

 

 Mãe de um filho de quatro anos, a vítima procurou a delegacia de polícia de Santa Maria dias antes do feriado de Carnaval, após ter recebido a mensagem do ex-companheiro no celular ameaçando-a de  estupro e degola. Incentivada pela tia a denunciar Victor Gabriel Medeiros, Fernanda procurou auxílio da 33ª Delegacia de Polícia (DP) da região, mas a denúncia não foi processada.

 

O irmão da vítima relata que Fernanda foi recebida por um escrivão que não fez o atendimento corretamente. “Ela foi informada que o caso era um assunto de família. Inclusive, repassaram que elas, as mulheres, é que teriam de resolver a situação”, explicou.

 

Diversas agressões

O estudante informou que a irmã sofreu diversas agressões durante o casamento e, por isso, duas ocorrências haviam sido registradas em Vicente Pires, e na região de Taguatinga. Ele garantiu que, em nenhum momento, Fernanda retirou as denúncias. No ano passado, a jovem até procurou desfazer a medida protetiva contra Victor. “A queixa, uma vez registrada, não pode ser retirada”, lembrou. “Sempre alertou Fernanda sobre o que ele seria capaz de fazer. “Ele era usuário de droga, mas minha irmã era apaixonada”, disse.

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