Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br
Em 26 de fevereiro, um jovem de 13 anos foi socorrido por funcionários do Aterro Sanitário da Cidade Estrutural e levado ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com mais de 60% do corpo queimado e um grande ferimento na cabeça. Nesta quinta-feira (28), a polícia capturou todos os envolvidos na agressão e descobriu tratar-se de um crime passional.
A vítima ainda está internada no Hran em estado grave, segundo a mãe do garoto, Dona Rosângela. A uma emissora de televisão, ela disse que seu filho sofre bastante com as queimaduras de até terceiro grau que ocupam 64% de seu corpo. A família do adolescente, no entanto, não autorizou o hospital ou a Secretaria de Saúde a revelar detalhes do quadro médico do menino.
De acordo com a titular da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA I), Mônica Ferreira Loureiro, a vítima, moradora da Estrutural, teria se envolvido com uma moça da mesma idade nas últimas semanas. A adolescente, no entanto, seria namorada de outro rapaz, de 17 anos, que estaria internado no Centro Socioeducativo Amigoniano (Cesami), em Planaltina-DF, desde janeiro deste ano por furto de carro.
“Ainda preso o mandante escutou que o outro menor estava contando que havia feito isso e aquilo com a namorada dele. Então a motivação do crime foi única e exclusivamente vingança por isso”, explicou a delegada. Mônica Ferreira disse que, para ajudar no acerto de contas, o mandante da ação reuniu uma prima, a irmã, ambas com 13 anos, um amigo, de 14, e a própria namorada para planejar uma emboscada.
Na noite do crime, por volta das 23h, uma das meninas atraiu o menino até a quadra 7 do Setor Oeste da Estrutural dizendo que andariam em um carro que havia acabado de ser furtado. No local, ele foi surpreendido pelos dois jovens do grupo e espancado até a inconsciência. Em seguida, a vítima foi amarrada e, com ajuda de gasolina levada ao local do crime em uma garrafa, teve fogo aceso em seu corpo. Tudo foi presenciado pelas três meninas do grupo.
Os agressores deixaram o lugar pouco depois, mas o adolescente conseguiu se desvencilhar das cordas que o prendiam e fugir. Terminou socorrido por fiscais de acesso do Aterro Sanitário, que o levaram ao posto policial da Estrutural, onde foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo a delegada Mônica Ferreira, a vítima pode ter envolvimento com tráfico de drogas na região, mas não possui passagens pela polícia. Ela conhecia os agressores e pensava que eram seus amigos.
Os jovens que participaram do crime devem ficar presos preventivamente por 45 dias até serem julgados. Se sentenciados, podem pegar até 3 anos de prisão por ato análogo ao crime de tentativa de homicídio.