Tainá Morais
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Um crime bárbaro e misterioso assusta os moradores do Distrito Federal. Na manhã dessa quarta-feira (22), o fazendeiro Gilmar Luiz Borges, de 78 anos, foi encontrado inconsciente e com diversos ferimentos na cabeça, no curral de sua fazenda, localizada em Ponte Alta Sul, no Gama. A vítima chegou a ser encaminhada para o Hospital Regional do Gama (HRG), mas não resistiu aos ferimentos. O fato foi registrado como homicídio na 20ª Delegacia de Polícia, que investiga o caso. Até o momento, ninguém foi preso.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, o sobrinho da vítima, Daniel Faria, 32 anos, informou que o tio foi encontrado todo ensanguentado e machucado. “Bateram muito no meu tio, a ponto de deformar a cabeça dele. Fiquei sabendo do que ocorreu por uma mulher que trabalhava com ele”, contou.
Depoimentos
Gilmar foi encontrado ainda com vida, por volta das 10h, por um homem que teria se deslocado até a casa da vítima para receber uma dívida no valor de R$ 80. Ele relatou, em depoimento para a polícia, que chegou à casa do fazendeiro, chamou e ele não respondeu. “Imaginei, então, que ele poderia estar no curral, tirando leite. Fui até lá e, como o colchete estava aberto, desci e o chamei novamente. Como ele não respondeu, avancei mais um pouco e o localizei machucado, inconsciente, com bastante sangue no rosto e os olhos inchados”, relatou. Nisso, a testemunha foi até a casa de um enteado do fazendeiro, que mora na mesma chácara, para informá-lo do fato.
O enteado de Gilmar disse à polícia que, antes de ficar sabendo do ocorrido pela testemunha, um homem desconhecido teria ido até sua casa para perguntar pela vítima. “Logo depois de saber que ele não estava na casa, ele saiu e, pouco tempo depois, eu soube o que aconteceu”, disse o enteado.
Os parentes da vítima, quando foram comunicados, verificaram a casa onde ele morava e constataram que a porta havia sido arrombada e documentos da vítima estavam espalhados em cima da mesa da cozinha.
MST

Mateus Alencar
Segundo os familiares, um grupo do MST havia invadido uma parte do terreno da vítima há aproximadamente dois anos. O fazendeiro lutava para que eles desocupassem a terra. “Eles já ameaçaram o Gilmar diversas vezes, tanto é que ele já tinha registrado muitas ocorrências na delegacia do Gama por ameaça e nenhuma medida nunca foi tomada. Sem contar que, já entramos com mais de cinco reiterações de posse para a desocupação do MST”, relatou um dos familiares. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) informou que para que a desocupação ocorra é necessário que a Justiça faça uma liminar para a retirada dos invasores.
Convivência
De acordo com relatos da vizinhança, Gilmar parecia ser um homem tranquilo e não tinha problemas com ninguém. Inclusive, ele ajudava um dos moradores, Noélio Cardoso, 46 anos, que contou à equipe do JBr. que a vítima cedeu um pedaço de terra para que ele morasse com os dois filhos pequenos. “Tínhamos uma boa relação e ele me ajudava muito, tanto que nunca deixou faltar leite aos meus filhos que, no momento, crio sozinho. Por isso, eu o considerava como um pai. Acredito que isso tenha sido uma maldade muito grande. Estamos revoltados com situações como essa”, desabafou.
Outra vizinha, Izabel Lázaro, 34 anos, foi uma das primeiras a serem avisadas do ocorrido. Ela mostrou indignação com o fim trágico da vida do vizinho. “No momento em que me falaram, eu não acreditei. Não conseguia pensar em nada, somente em sair correndo e ir ajudar de alguma forma. É triste perdermos uma pessoa que sempre ajudou a todos e que gostávamos muito”, afirmou.
Investigação
A perícia foi acionada e o laudo ficará pronto em, aproximadamente, 30 dias. As investigações para localizar o autor do homicídio continuam.