A Polícia Civil prendeu o homem suspeito de matar a professora Christiane Silva Mattos, de 37
anos. O rapaz que foi identificado como Wallison Santos Lemos, de 24 anos, teve sua identidade revelada pelas autoridades no começo da tarde deste sábado (30). Investigadores o localizaram na madrugada de hoje em Santa Maria. Impressões digitais deixadas no carro da vítima ajudaram os peritos na identificação do acusado.
Wallison confessou o crime. O foco das investigações a partir de agora é saber se ele tinha a algum tipo de contato com a vítima. A polícia já pediu a quebra do sigilo telefônico do rapaz para rastrear seus últimos contatos.
Quem souber de qualquer detalhe que possa ajudar nas investigações ou que tenha sido vítima do homem deve ligar no número 197.

A professora tinha o hábito de buscar o casal de filhos, um garoto de sete e uma menina de dois anos, na escola, na 906 Sul, sempre às 17h30. Mas na tarde de quinta-feira a rotina foi modificada. A mãe não pegou as crianças. A escola comunicou ao pai, o 1º sargento da Aeronáutica Marcos Aurélio de Souza Mattos, 39 anos, às 18h30, que os filhos não haviam sido pegos.
Preocupado com o fato, o militar telefonou para familiares, mas não teve informações do paradeiro da mulher e denunciou o desaparecimento à polícia. Por volta das 21h, o corpo de Christiane foi encontrado dentro do carro dela, um Fiat Bravo preto, no estacionamento 9 do Parque da Cidade.
Christiane foi estrangulada. No pescoço, rosto e nos braços haviam hematomas, denunciando luta corporal. A professora estava sentada no banco do motorista e usava cinto de segurança. Um fato intriga a polícia: o autor do crime não roubou qualquer objeto da vítima. Dentro do carro, estavam a bolsa, a carteira com dinheiro, cartões de crédito, o telefone celular e uma sacola com ovos de Páscoa.
Hipóteses
Marcos Aurélio informou à polícia que a mulher havia saído de casa, na 214 Sul, por volta das 14h30, para ir a um shopping, na área central da cidade, comprar os ovos de Páscoa. Em seguida, buscaria os filhos. Ela, inclusive, foi vista na loja por um vizinho, comprando os chocolates com os quais pretendia presentear filhos e familiares amanhã, Domingo de Páscoa, e conversou com o marido pelo celular.
Policiais da 1ª DP (Asa Sul) responsáveis pela investigação não descartam qualquer hipótese para esclarecer as circunstâncias da morte. Porém, uma das possibilidades é que a professora pode ter sido vítima de um possível sequestro relâmpago, no estacionamento do shopping. Outras linhas de investigação são crime passional ou vingança. Neste caso, o autor do crime poderia ser alguém conhecido.
Policiais que participam da investigação passaram o dia em busca de pistas para esclarecer o crime. Testemunhas prestaram declarações na 1ª DP, mas o caso é mantido em sigilo pela polícia. A delegada responsável, Mabel Farias, informou que só vai dar informações na segunda-feira. Christiane será sepultada hoje, às 11h, no Cemitério de Taguatinga.
Digitais e vestígios de pele sob análise
A peça-chave da polícia para identificar o autor da morte da professora Christiane Silva Mattos é a identificação de impressões digitais do criminoso encontradas por peritos do Instituto de Criminalística (IC), no carro da vítima. Depois de ser periciado no local do crime, o veículo passou por novos exames, no Setor de Vistoria da Polícia Civil, no pátio do Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Parque da Cidade.
Além de impressões digitais, a perícia encontrou vestígios de pele humana nas unhas da vítima. Os investigadores acreditam que a professora lutou e arranhou o criminoso. Apesar do mistério que envolve a morte, o autor pode ser apanhado pelas pistas deixadas.
A quebra do sigilo telefônico da professora também é uma das linhas da investigação. A solicitação será encaminhada ao Judiciário. A polícia pediu as imagens do circuito de segurança da loja onde Christiane comprou os ovos de Páscoa e do shopping na área central para ver se ela saiu do comércio acompanhada por alguém.
Hábitos simples
O administrador de empresas Plínio Marcos Dias Paes, 35 anos, cunhado de Christiane, disse que a polícia informou que o suspeito pode ser alguém conhecido da vítima. Na opinião de Plínio, a família não consegue vislumbrar alguém próximo à professora que tivesse intenção de matá-la. “Ela era uma mulher de hábitos simples, religiosa, boa mãe, dedicada ao trabalho, que gostava de crianças e não tinha inimigo declarado”, afirma.
Segundo José Damásio de Abreu Neto, primo de Christiane, a notícia da morte deixou a família muito abalada pelas circunstâncias. Os parentes costumavam se reunir toda Sexta-feira Santa para almoçar na casa da sogra dela, em Taguatinga. Mas ontem foi um dia de tristeza.
Violência
Em março, dados da Secretaria de Segurança Pública aponta média de dois homicídios por dia no DF. Para avançar no combate à criminalidade, o governo anunciou a adoção de novas medidas. Entre elas, estuda-se apresentar um projeto na Câmara Legislativa para pagar uma bonificação aos policiais por cada arma apreendida. O valor, em torno de R$ 400 por unidade, será dividido entre os agentes envolvidos na ação.