Carlos Carone
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A franca expansão do mercado do tráfico de drogas em Taguatinga, onde bocas de fumo chegam a funcionar de “ofício alternativo” para comerciantes, fez com que a Polícia Civil montasse uma grande operação para desarticular as chamadas firmas do tráfico. Boa parte delas funcionava na região conhecida como Chaparral. Quatro pontos de venda acabaram fechados e sete traficantes foram presos durante a Operação Pão de Queijo, nome em alusão a um comércio que vendia tanto a iguaria mineira quanto trouxinhas de maconha.
Investigadores da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) receberam dezenas de denúncias anônimas sobre o funcionamento das bocas em várias quadras da área. Uma delas dizia respeito a um comércio que vendia pães de queijos e maconha no varejo. Durante alguns dias, investigadores filmaram a rotina do estabelecimento e as denúncias foram confirmadas.
Um dos compradores identificados era um militar do Corpo de Bombeiros do DF. As imagens feitas pelos policiais também mostram mulheres grávidas e outras com crianças de colo comprando drogas. O movimento mais forte no estabelecimento era durante o dia e incomodava moradores da QNL 20, onde ficava a boca de fumo.
Para prender dono do estabelecimento e garantir o indiciamento pelo crime, os policiais filmaram diversas transações de compra e venda de drogas no estabelecimento. De acordo com o delegado-chefe da 17ª DP, Raimundo Vanderly, as imagens são um método a mais para garantir a condenação dos traficantes. “Dos 88 últimos flagrantes dessa natureza em que tivemos a oportunidade de filmar, nenhum dos suspeitos deixou de ser condenado. É uma prova irrefutável do crime”, destacou o delegado.
Depois de registrar as imagens, os policiais seguiam os usuários, apreendiam a droga e depois entravam na boca de fumo para apreender o dinheiro e dar voz de prisão aos traficantes. Com esse método, outros três pontos-de-venda foram desmantelados pelas investigações. Em um deles, o inquilino de uma casa na QNM, em Ceilândia, pagava metade do aluguel em drogas. “Prendemos tanto o homem que alugava a casa quanto o proprietário. Também filmamos toda essa ação”, disse Raimundo Vanderly.
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