Investigadores da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) cumpriram mandado de busca e apreensão nas casas dos filhos do ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, 73 anos, e da advogada Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, assassinados em agosto do ano passado. A decisão judicial, ocorrida sábado, se estendeu também à residência de uma amiga da arquiteta Adriana Villela, filha do casal.
Adriana foi levada para prestar depoimento na Corvida. O advogado que acompanhava a arquiteta, alegou não ter conhecimento do inquérito e pediu prazo para se inteirar dos autos. O questionamento está marcado para esta semana. Será o quarto depoimento que Adriana vai prestar na Corvida, desde janeiro deste ano. A polícia quer saber qual o relacionamento entre Adriana e a amiga. Sabe-se que as conversas que mantinham por telefone eram referentes a uma loja na 116 Sul, que a mulher pretendia alugar. No entanto, os investigadores recolheram documentos e um computador na casa de Adriana, no Lago Sul. O material está sendo analisado no Instituto de Criminalística.
A polícia suspeita que a arquiteta esteja omitindo informações que possam esclarecer o assassinato dos pais e da empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos. Os três foram mortos com 61 facadas, no apartamento onde moravam, no Bloco C da 113 Sul. O crime ocorreu dia 28 de agosto, mas os corpos só foram encontrados pela neta dos Villela três dias depois. Para a polícia, Adriana apresenta comportamento incompatível com uma pessoa que perdeu os pais, seria comfidente da amiga e teria pedido para ela guardar documentos pessoais.
Adriana entende que sempre colaborou com a investigação. A arquiteta apresentou à polícia cópias de extrato bancário dela e dos pais, anotações com despesas diárias do ano passado, um documento de 2008 do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), onde o pai conta sua trajetória profissional e rascunho de um livro que está escrevendo com a história da família.
Os investigadores que trabalham no caso já coletaram material para exame de DNA de Adriana, do irmão Augusto Villela e da filha da arquiteta além de impressões digitais para serem comparadas com os mínimos fragmentos encontrados no apartamento onde o ministro aposentado morava com a mulher. A polícia não revelou o que foi levado da casa de Augusto e nem da amiga de Adriana.