Lucas Dutra
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Depois de quase três meses em greve, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) terá muito trabalho pela frente. São cerca de 65 mil queixas que não foram registradas e muitos processos parados. A categoria decidiu suspender o movimento paredista e normalizar as atividades, decorrência de uma sentença expedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) na última sexta-feira.
Em assembleia no Parque da Cidade, os policiais optaram pelo fim da paralisação, pelo menos até o próximo dia 27, quando haverá outro encontro para debater a situação. Até a data estipulada, todas as delegacias do DF funcionam normalmente e registram qualquer boletim de ocorrência, diferentemente do que ocorria nos últimos 81 dias.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), a suspensão do movimento paredista deve-se exclusivamente à sentença do TJDFT e não houve procura do Governo do Distrito Federal (GDF) para apresentar propostas ou cumprir o acordado em 2011. Hoje, o corpo jurídico da categoria deve interpor um recurso para apresentar à Justiça, por não concordar com a decisão do TJDFT.
Desacreditados
Questionado sobre os imbróglios com o GDF e com a decisão da Justiça, o presidente do Sinpol-DF, Ciro de Freitas, informou não acreditar no governo e não concordar com o tribunal. “Não tenho dúvidas de que cumpríamos a ordem de manter 80% do efetivo. Realizamos operações, prisões e investigamos tráfico de drogas durante a greve. Quanto ao governo, a categoria não acredita mais. Estamos interrompendo a greve e esperamos uma proposta e um tratamento igualitário aos das demais categorias”, disse.
Freitas também lembrou que a suspensão da paralisação não significa o fim. “O problema não está resolvido. Nem o GDF, nem a Polícia Civil cederam”, mencionou. Até o fechamento desta edição, o Jornal de Brasília não conseguiu contato com a Secretaria de Administração Pública, responsável pela situação.
Até o dia 27, quando haverá uma assembleia em frente ao Buriti, o Sinpol aguarda um posicionamento do GDF para encerrar a paralisação por definitivo. A categoria quer a reestruturação da carreira, 28% de realinhamento salarial, plano de saúde subsidiado, renomeação do cargo de agente penitenciário e aumento do efetivo. Em 2011, a PCDF permaneceu 36 dias em greve, encerrada após “promessas até então não cumpridas”, diz o sindicato.