Menu
Brasília

Polícia Civil desmonta suposto esquema de extorsão contra atletas paralímpicos

Arquivo Geral

04/07/2016 23h56

Atualizada 05/07/2016 0h32

Mensagens enviadas por WhatsApp são usadas como provas do esquema. Reprodução

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

A Polícia Civil desmontou um suposto esquema de extorsão contra atletas paralímpicos, que funcionava desde 2013. Por exigir repasses financeiros das vítimas, o coordenador técnico da Seleção Paralímpica de Tênis de Mesa, José Ricardo Rizzone Vale, é suspeito do crime de concussão – quando o servidor público exige vantagem indevida para si ou para outros.

As investigações apontaram que o suspeito impôs aos atletas uma contribuição para que não fossem desclassificados de competições nem prejudicados de alguma forma. Os repasses eram mensais e variavam de 10% a 13% do valor da bolsa incentivo, que é custeada pela Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, por meio de convênio com o Ministério do Esporte.

As bolsas variam de R$ 3,5 mil a R$ 15 mil mensais, a depender do nível do atleta. Rizzone foi afastado do cargo a pedido da Justiça. Segundo o delegado- chefe da 4ª DP (Guará), André Sala, sete atletas foram extorquidos, e a polícia conseguiu comprovar que pelo menos um deles foi impedido de competir porque não quis participar do esquema e resolveu denunciar.
“A investigação conseguiu demonstrar que o coordenador queria aproveitar da vulnerabilidade natural desses atletas para atingir a autoestima, subjugando e até dizendo que seriam afastados da seleção ou não treinariam mais”, afirma Sala.
O coordenador tinha o poder de escolher quais jogadores participariam de determinadas seletivas. Assim, quem não pagasse ficaria de fora e perderia a possibilidade de se classificar para as Paralimpíadas deste ano.

O delegado afirma que a investigação vai ser aprofundada porque há indícios de que outras pessoas da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa estejam envolvidas. A polícia não sabe ainda o montante total repassado ao suspeito.

Versão oficial

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa   informou que cumpriu  as medidas cautelares de sua alçada, afastando temporariamente José Ricardo Rizzone das   funções. A CBTM alegou que não tinha conhecimento de supostos repasses.

“Durante o exercício de suas funções na CBTM, desde 2007, José Ricardo Rizzone sempre teve uma conduta proba e demonstrou alta capacidade técnica para o cargo, sendo diretamente responsável pelos resultados históricos alcançados pela seleção nos últimos anos. Entre os feitos estão inéditas medalhas em Jogos Paralímpicos e Campeonatos Mundiais, além da quebra de recordes em Jogos Parapan-Americanos e etapas do Circuito Mundial”, declarou, destacando que será aberto procedimento interno para investigação do caso.

Para não prejudicar a preparação para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, treinamentos estão mantidos. O técnico Luciano Possamai foi nomeado.  José Ricardo Rizzone Vale não atendeu  às ligações da reportagem.

Justiça determina afastamento

Segundo o delegado André Sala, a Justiça negou o pedido de prisão do principal suspeito. “No entanto, o juiz entendeu que a prisão não se fazia necessária e determinou medidas cautelares”, explica. Assim, o denunciado foi afastado imediatamente do cargo e não pode ter acesso às dependências do Centro Olímpico nem manter qualquer tipo de contato com os atletas. José Ricardo Rizzone Vale foi informado da decisão hoje pela manhã, assim como o Ministério do Esporte.
Ele ainda não deu explicações à polícia, mas, conforme o delegado, o que se sabe é que ele utilizava o dinheiro cooptado em benefício próprio. Sala reforçou que, se o suspeito descumprir alguma das medidas judiciais, vai pedir novamente a prisão preventiva dele.

Provas
Um áudio gravado em 2013 comprovaria o pedido do pagamento, além de mensagens via WhatsApp e e-mails. Segundo a polícia, em uma reunião, Rizzone fala que ficou chateado com os atletas que se reuniram para reclamar da cobrança, em vez de falar pessoalmente com ele. Em outro momento, ele reclama que o salário do técnico é pequeno em relação ao dos atletas.
Procurado, o Ministério do Esporte disse que colabora com as investigações e acompanha o desenvolvimento do inquérito: “Uma vez comprovadas as irregularidades, serão tomadas as medidas cabíveis, com a expectativa de que os responsáveis sejam punidos”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado