
Dez pessoas suspeitas de integrar quadrilha especializada na prática de roubo, furto e desmanche de veículos no Distrito Federal e Região Metropolitana foram presas. Segundo a polícia, os criminosos obtinham os automóveis, os escondiam e os levavam em comboio, durante a madrugada, a Paracatu (MG), a 234 km do DF. Ali, eram repassados para lojas, oficinas e ferros velhos. “Encontramos uma quantidade de peças que ultrapassa centenas de veículos”, frisa o delegado-chefe da Delegacia de Roubo e Furtos de Veículos (DRFV), Marco Aurélio Vergílio de Souza.
Durante oito meses, a Operação 020 cruzou dados de ocorrências até identificar a forma de atuação do grupo. A Justiça expediu 12 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão em Valparaíso (GO), Luziânia (GO), Novo Gama (GO) e Paracatu (MG). Dos 12 envolvidos, dois estão foragidos. Menores também foram apreendidos.
Atuação
Os criminosos atuavam de dois modos distintos: roubo e furto. Recentemente a preferência era pelo segundo, aproveitando a distração das vítimas. “No primeiro momento, eles agiam praticando roubo com restrição de liberdade (sequestro relâmpago), sempre armados. Eles procuravam veículos de luxo, geralmente caminhonetes, e deixavam as vítimas abandonadas próximo à BR-020. Depois de um tempo, começaram a se especializar na prática de furtos”, diz o delegado.
Segundo Souza, “eles visavam vítimas que estavam com a chaves expostas, geralmente junto ao corpo, penduradas no passador das calças, junto a bolsas ou deixando expostas em mesas de bares”.
Furto da chave com apenas um esbarrão
Após furtar as chaves dos veículos, um dos criminosos monitorava a vítima e outro comparsa levava o carro para o esconderijo do grupo. Em seguida, o veículo seria desmanchado e as peças, revendidas em lojas de Paracatu (MG).
“Os integrantes provocavam algum esbarrão, a ponto de a vítima não perceber essa abordagem e ser furtada. A falta do veículo só era percebida após cerca de 20 minutos. Quando a vítima se dava conta de que o carro havia sido subtraído, e não que havia perdido as chaves, ela fazia a ocorrência. Os criminosos viram que dessa forma obtinham resultados, e não precisavam fazer abordagem com violência, nem se expor”, detalha o delegado Marco Aurélio Vergílio.
As peças dos automóveis eram vendidas separadamente, aumentando o lucro. “Os carros roubados ou furtados eram vendidos a um preço muito abaixo do mercado, de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil, dependendo do modelo. O desmanche e a venda das peças separadas faziam com que os criminosos lucrassem até dez vezes mais”, completa.