Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br
Papai Noel não aparecerá para os traficantes de drogas do Distrito Federal neste Natal. A Coordenação de Repressão a Drogas (Cord) da Polícia Civil do DF agiu, na manhã desta quarta-feira (5), em uma chácara em Recanto das Emas e impediu que os “presentinhos”, mais de uma tonelada de maconha, fossem colocados no “trenó” para distribuição. A apreensão foi a segunda maior já registrada na capital e a mais volumosa dos últimos cinco anos.

Maconha apreendida ocupou uma sala inteira da Coordenação de Repressão a Drogas
“Há cerca de dois meses já sabíamos que uma grande quantidade de droga chegaria ao DF”, explicou o delegado da Cord, Luiz Alexandre Gratão. “Nossa preocupação era não deixar que a droga se espalhasse.”
De acordo com o delegado, a maconha apreendida foi produzida no Paraguai, principal fornecedor dos traficantes do DF, e veio de caminhão desde Foz do Iguaçu, na divisa do Paraná com Ciudad Del Leste. Grandes criminosos de regiões administrativas diferentes teriam feito um consórcio e bancado a compra e transporte dos 1,2 mil quilos encontrados na chácara do Recanto. A polícia acredita que a maconha seria revendida a R$ 1 mil por quilo a bandidos medianos do DF, responsáveis pela distribuição aos usuários.
“Em janeiro a produção de maconha passa por uma entressafra no Paraguai. Então eles se juntaram para abastecer os traficantes da região, como se estivessem estocando, e depois cada um teria direito a uma cota do dinheiro conseguido”, disse o delegado Gratão.
Com os suspeitos também foram encontrados 2 kg de cocaína, uma balança eletrônica, uma prensa, materiais para acondicionamento e embalagem de drogas e dois carros.
O “pólo norte” da maconha
A chácara do Recanto das Emas onde toda a maconha estava armazenada fica nas proximidades de Santo Antônio do Descoberto-GO, no Entorno do DF. Mais de 50 agentes da polícia civil teriam participado da invasão ao local. Dois homens, V.B.S, 31 anos, e M.J.M.C, 47, teriam sido rendidos na primeira abordagem, mas dois comparsas teriam surgido e confrontado a força policial. Houve troca de tiros e um dos homens conseguiu escapar, mas F.P.S, 72 anos, foi capturado. Os três devem responder por tráfico de drogas e associação criminosa e pegar de 5 a 15 anos e 3 a 10 anos de prisão respectivamente.
A polícia acredita ter conseguido achar toda a maconha comprada pelos traficantes, mas as investigações devem continuar já que, além do foragido, mais pessoas podem estar envolvidas no consórcio criminoso.
A raiz do problema
O delegado Luiz Alexandre Gratão afirmou que o DF não é produtor de maconha e, na verdade, muito pouco dessa droga é manufaturada no Brasil. Assim, o grande problema é o tráfico do material produzido em países que fazem divisa com o nosso, como Paraguai, Bolívia e Colômbia. “Na visão do Cord falta melhor policiamento de fronteira para evitar que os carregamentos entrem no País.”
Ele ressaltou também que a maconha é a droga mais apreendida no Distrito Federal pois é a mais consumida e procurada, segundo dados do Cord.

