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Brasília

Polêmicas olímpicas

Arquivo Geral

07/07/2016 7h00

Atualizada 06/07/2016 22h33

Estamos a menos de um mês da abertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – acontecerá dia 5 de agosto, mas o futebol começa um pouco antes. E, a cada dia, aumentam as discussões, os disse-me-disse, as polêmicas em torno da maior competição esportiva do planeta, pela primeira vez (e me arrisco a dizer última) na América do Sul. Uma das mais antigas diz respeito ao revezamento da tocha olímpica. Vários campeões olímpicos deixados de fora; campeões olímpicos sendo mal tratados (basta buscar nas redes sociais os relatos); inúmeras pessoas que nada têm a ver com o esporte “escolhidas” apenas para dar retorno comercial e… A venda da tocha conduzida.

Vejam que nada tenho contra o comércio, seja ele qual for. Não vejo nada de mais, por exemplo, o dono de um ingresso de um show vendê-lo por três vezes seu valor facial – se ele tem, quer vender, e alguém quer pagar… Portanto, não vejo nada de mais nesta questão da venda da tocha para quem a conduziu e deseja guardar a recordação. Só queria que fossem esclarecidas algumas coisas: por que as empresas patrocinadoras do revezamento fazem a gentileza de entregar, graciosamente, a tocha para seus convidados e os demais mortais pagam mais de R$ 1.900 (no máximo em três vezes, e no cartão de crédito oficial)?

Alguém aí viu a nota fiscal com o valor da tocha? Sim, porque eu (e qualquer um) tem o direito de pensar que na realidade os pagantes estão pagando pela generosidade das empresas, ou estarei sendo cético em demasia? E os convidados que, além de tudo, arcaram com passagens e estadias para conduzir o artefato longe de suas cidades? Claro que, como é um convite, o convidado pode dizer não, mas… Não fica estranho?

E a questão das obras ainda inacabadas? Os atletas que não virão? O doping podendo excluir alguns importantes personagens? E, pior do que tudo isso… A violência desmedida no Rio de Janeiro e a quantidade de bobagens ditas pelo seu prefeito, avisando, por exemplo, que não se deve comparar o Rio com Londres, Nova Iorque ou que outra cidade. Sem dúvida, nobre alcaide. O turista que vier ao Rio de Janeiro quer encontrar o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Praia de Copacabana, o que não verá em Londres (onde há o Big Bem), em Nova Iorque (que tem a Estátua da Liberdade) ou Pequim (onde encontrará a Muralha da China). Mas, aqui, ou em qualquer outra cidade, ele quer poder circular com um mínimo de segurança. Quer saber que vai sair do hotel e retornar vivo – pode até perder uma carteira numa punga, um relógio, sei lá, mas… Voltará vivo?

Infelizmente o Rio de Janeiro está perdendo uma grande chance de dar um salto de qualidade com a realização dos Jogos Olímpicos. Salto que aconteceu com Barcelona, em 1992; com Sidney, em 2000; ou Pequim, em 2008, quando por alguns meses a população viu a poluição que assusta a cidade diminuir – sem falar os enormes ganhos de infraestrutura, com facilidades de mobilidade e deslocamento urbano. Os Jogos do Rio, neste momento, mais se assemelham (que pena) ao que aconteceu em Atenas, em 2004, quando até hoje o país não sabe quanto foi gasto; estruturas não têm uso e até esportivamente o país não evoluiu. Pena.

Diferenças

O Brasil foi muito mal na Copa América realizada em 2015, no Chile. A solução? Manteve o técnico e alguns jogadores foram defenestrados da equipe, opção do responsável pelo comando técnico da equipe – que todos reconheceram não ter jogado nada. O Brasil está muito mal nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Estaria fora do Mundial, hoje. O Brasil foi muito mal na Copa América Centenário, realizada nos Estados Unidos, há pouco mais de um mês. Nas três competições o treinador era o mesmo. E ele ainda estava “escalado” para dirigir o Brasil nos Jogos Olímpicos. Só que a pressão popular foi forte e… Bem, ele foi demitido e o restante da história os leitores já sabem.

Repito: não fosse a pressão popular, corríamos o risco de ter Dunga ainda à frente da seleção brasileira ao menos nos Jogos Olímpicos. O que se poderia esperar?

Bem diferente, por exemplo, do que acontece em outros países. A Inglaterra caiu na Eurocopa e seu treinador imediatamente pediu demissão. Não esperou que lhe pedissem a cabeça. A Espanha foi eliminada e Vicente del Bosque, que foi campeão do mundo e ganhou a Euro anterior, achou que seu ciclo tinha terminado e despediu-se. Detalhe, a ser relembrado: ele foi campeão do mundo (2010) e campeão da Euro 2012.

Terça-feira foi a vez de Tata Martino, técnico da Argentina. Nas duas Copas Américas que o Brasil pagou mico a Argentina foi vice – perdeu as duas nos pênaltis. Mas ele foi embora. Simples assim. Não precisou que os hinchas, os barra bravas, pedissem sua cabeça. Simplesmente pegou seu boné e foi embora. Por que será que há tanto apego ao cargo de treinador da seleção no Brasil?

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