Catarina Lima
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Depois de rejeitar a proposição de reajuste encaminhada à Presidência da República pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, policiais militares e Corpo de Bombeiros querem voltar a mesa de negociações com o governo local.
As duas categorias realizaram reunião hoje, pela manhã, no auditório da Câmara Legislativa, sob a coordenação do deputado Rosevelt Vilela (PSB). A partir das discussões, foi elaborado um documento solicitando correções na proposta de reajuste da categoria. As sugestões serão encaminhadas, por meio de ofício, ao governador Ibaneis. Também constam do documento o compromisso de tratamento isonômico na recomposição salarial e a isenção do Imposto de Renda para a gratificação de serviço voluntário (GSV).
“Do que jeito é está, em vez de aumentar, reduz os vencimentos”, disse o presidente da Associação de Oficiais da PM, Tenente-Coronel, Naime, garantindo que a tabela apresentada não contempla a promessa de equiparar os vencimentos dos militares e bombeiros aos da Policiai Civil.
O sentimento entre os participantes da reunião e dos presidentes de associações que estavam presentes ao encontro era de descontentamento. O deputado Hermeto (MDB), mesmo sendo base de sustentação do governo na CLDF, disse não concordar com a proposta entregue a presidência. “Se foi prometida uma coisa e a proposta era outra, eu não compactuo”, pontuou o
parlamentar.
Outros problemas são apontados na proposta além da diferença de mais de 5% entre percentual reivindicado e concedido. Segundo PMs e bombeiros, a incorporação do auxílio- moradia ao contracheque faz com que passe a incidir imposto de renda sobre o benefício. A segunda questão é que a partir da edição da Medida Provisória que estabelecerá o reajuste, o
auxílio-moradia deixa de ser pago imediatamento – como estabelece o texto –, já a primeira parcela do aumento só será paga em junho de 2020.
Segundo Naime, a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Distrito Federal têm o quarto salário mais baixo entre as 27 unidades da federação. Os policiais militares e bombeiros querem uma proposição de reajuste igual a que foi construída com o senador Izalci (PSDB). O senador, que não foi convidado para a apresentação da proposta no Palácio do Buriti, no dia 21 de novembro, disse que é preciso corrigir o documento enviado ao governo federal pelo governador Ibaneis. “Isso que foi feito foi um equívoco. É preciso esperar o governador voltar das comemorações do título pelo
Flamengo para ver como ele vai se posicionar” disse o senador.
A Associação das Esposas dos Policiais Militares também está mobilizada pelo reajuste da categoria. A representante do grupo na reunião de ontem, Edileuza Paiva, garantiu que prefere o diálogo, mas está pronta para se for preciso, fechar quartéis e bater panelas. “Não estamos subordinadas a regime disciplinar, podemos nos manifestar”, garantiu ela.