Eric Zambon
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Começou como uma ocorrência de invasão de terras no Riacho Fundo I. Coisa banal para o Distrito Federal. O Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) recebeu denúncias de moradores e, por volta das 9h30 desta quinta-feira (15), mobilizou uma equipe para a QN 01 da região. Próximo ao Centro Olímpico, os policiais avistaram cerca de 60 pessoas no matagal com equipamentos de poda e materiais para construção.
Uma parte dos invasores se dispersou na vegetação, mas 35 foram detidos, dentre eles mulheres com crianças, idosos e deficientes físicos. Logo depois de dividir o grupo em micro-ônibus da corporação e encaminhá-lo para a 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), o tenente Ventura, do BPMA, recebeu uma ligação de um colega do Varjão. “Ele informou que havia outro parcelamento irregular, que tinham feito casas de madeira do dia para a noite, aproveitando o recesso”, relatou.
Lá foi o policial para o outro lado da Cidade patrulhar uma região de mata densa – adiou o horário do almoço. Ele e sua equipe encontraram o local, mas nada puderam fazer. “Temos de esperar para fazer uma operação com a Agefis (Agência de Fiscalização). É material simples, com madeira, prego e lona, mas já constitui moradia, então não podemos só derrubar”, explicou. Ao procurar nas redondezas, se depararam com 20 pessoas suspeitas e, desta vez, conseguiram apreender todos.

Divulgação/PMDF
Já seria um dia atípico para um feriado de Proclamação da República, mesmo para capital da grilagem, porém estava longe de acabar. Novamente o telefone do tenente Ventura tocou e de novo se tratava de denúncia de invasão de terras no Riacho Fundo I, envolvendo 40 pessoas, agora próximo à Escola Classe Kanegae.
O modus operandi era parecido com os últimos dois casos, e isso fez o militar arquear as sobrancelhas e pensar: “É ação orquestrada. Alguém está tentando se aproveitar do feriado para fazer isso”.
Era fim de tarde, mas ele teve de atender ao novo chamado. Em seu retorno para a parte Sul de Brasília, Ventura foi informado pela equipe de inteligência do batalhão que “uma mulher branca” tentava vender os lotes demarcados toscamente, com linhas e estacas improvisadas, a R$ 1 mil para moradores da região. Mesmo em posse da descrição das feições da suspeita, até o fechamento desta reportagem ela não havia sido detida.
As suspeitas do tenente quanto a ações orquestradas por um ou mais mentores para promover as ocupações atingiu níveis alarmantes por volta das 20h30. O telefone do policial, que a essa altura era o maior inimigo do seu descanso, tocou pela milésima vez e ele ficou sabendo de nova denúncia. A cidade de Brazlândia era a nova vítima, sem números confirmados de criminosos por enquanto.
“Temos histórico de ocupações, mas costumam acontecer esporadicamente. No feriado passado não houve nada desse tipo”, revelou Ventura, que mostrou o quanto estava intrigado durante seu relato dos acontecimentos à reportagem do JBr. “Ainda não tenho como fundamentar, mas creio que seja ação coordenada. A Polícia Civil vai investigar”, completou, prometendo que a tal mulher branca seria presa nesta sexta-feira (16).