Eric Zambon
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O patrulhamento da Polícia Militar deverá ser reforçado em definitivo em um futuro próximo. Os agentes que fazem rondas pelas cidades do DF terão à disposição patinetes elétricos, que, segundo o comando da PMDF, deverão elevar a ostensividade das ações de cada policial.
O projeto está na reta final da fase de testes, que já dura mais de um ano, em Taguatinga, onde o 2º Batalhão da Polícia Militar (BPM) possui, até o momento, os únicos dois veículos em atividade. Os responsáveis por conduzir os patinetes, que mais se assemelham a triciclos pela presença de duas rodas traseiras, desde janeiro de 2012 são os sargentos Welber Moreira e Fábio Mariano.
Os dois não hesitam em elogiar o apetrecho exclusivo na capital por enquanto. “Nossas rondas duram cerca de 6h por dia. Antigamente, a pé, andávamos uns 2km ou 3km por dia. Agora, rodamos 25km no mesmo tempo de serviço”, exalta Welber.
Fábio cita exemplos vividos no último ano para defender o uso do patinete. “Uma vez recebemos um chamado a 4km do local da ocorrência e chegamos antes das motos. Como podemos andar pela calçada e não precisamos nos preocupar com sinais, chegamos muito rápido nos lugares.”
Os equipamentos podem alcançar até 40km/h, mas a velocidade usual de patrulha é, no máximo, de 20km/h, principalmente para evitar acidentes.
Respaldo
O major Roberto Marques, da sessão operacional do 2º BPM de Taguatinga, destacou que a iniciativa tomou como base experiências em outros lugares, como em Pernambuco e no Rio Grande do Sul. “Fizemos visitas técnicas e pensamos isso para o centro de Taguatinga, por exemplo. O Setor Comercial tem quase 10km da área Sul à área Norte e fica difícil ter esse alcance a pé. Então os patinetes ajudarão.”
O tenente-coronel do batalhão, Florisvaldo Ferreira Cesar, também afirmou que os transportes, da marca Bikel Board e caracterizados com a logo da PM, possuem vantagens em relação ao segway, modelo similar bastante comum nos Estados Unidos e já utilizado em partes do Brasil. “Queríamos adaptar um orçamento melhor no DF, daí surgiu a idéia desse triciclo, que consome menos energia e é totalmente sustentável.”
O preço de um segway no mercado pode chegar a R$ 25 mil, enquanto os patinetes ficam entre R$ 15 mil e R$ 18 mil por unidade. O coronel Cesar, porém, alega que, durante o processo licitatório, quase 500 equipamentos similares deverão ser adquiridos por batalhões da PM de todo o DF e, portanto, o preço individual deve ficar bem abaixo do normal.
Resposta
Os policiais que utilizam o patinete elétrico ressaltam as qualidades do transporte, como baterias recarregáveis que permitem patrulhamento por até 10h sem interrupção e melhora na visibilidade do agente, mas será que esse entusiasmo é o suficiente para ao menos transmitir sensação de segurança às pessoas?
Para o senhor Santos, que mora no centro de Taguatinga e não quis revelar a identidade, se cada cidade do DF tivesse pelo menos três triciclos, crimes como assaltos e tráfico de drogas sofreriam redução. “É um equipamento ágil e pode entrar em lugares que um carro não consegue. Claro que só isso não adianta, mas é um começo.”
Essa é a mesma linha de pensamento de César da Costa, de 25 anos, que trabalha em uma churrascaria de Taguatinga. “Se (a iniciativa) funcionar vai ser bom demais, mas só isso não vai resolver. Precisa ter mais investimento na área de segurança. Não basta essa bicicleta (sic), mas pelo menos está começando a chegar em 100%”, disse.