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Brasília

Plantas nativas são usadas para fazer brincos, colares e anéis

Arquivo Geral

25/03/2009 0h00

No lugar do concreto armado, information pills vidro, estruturas metálicas, materiais reciclados e pedras típicas do Cerrado dão forma aos monumentos de Brasília em homenagem ao seu aniversário de 49 anos, que será comemorado no próximo dia 21. Resultado da mistura do ecologicamente correto com consciência social, a coleção Traços de Brasília foi desenvolvida numa parceria das artesãs Adriane Adratt e Carla Gouvêa com o artista plástico Antônio Martins Melo e com comunidades carentes de Taguatinga e Sobradinho.

Adriane conta que o trabalho das comunidades foi fundamental na produção das peças. “A coleção foi toda montada pela comunidade de Sobradinho. Desenhei o conceito das joias, mas sem eles não teria como produzir tudo e a coleção não sairia do papel.”


Os grupos das comunidades são formados por poucas pessoas, quase sempre de uma mesma família. Além de montar as peças, elas coletam e beneficiam sementes, folhas, flores e cascas que servem para confecção das joias. “Comecei o trabalho sozinha, mas as vendas foram crescendo e hoje a participação de famílias como a da dona Dalva e do seu Mário, em Taguatinga, me ajuda muito”, diz Adriane.
A parceria nasceu quando a artesã, natural de Santa Catarina, começou a explorar o Cerrado em busca de recursos ecologicamente corretos para desenvolver peças de biojoias ou ecojoias, confeccionadas com recursos que não danificam o meio ambiente.


A busca por informações sobre as árvores típicas da região levou Adriane à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), onde conheceu os artesãos-coletores das cidades do DF. “É importante que eles sejam cadastrados porque existe um compromisso. Os coletores cadastrados recebem um treinamento e sabem, por exemplo, que não se pode tirar mais de 30% do que a natureza oferece para não prejudicar o meio ambiente”, explica.


Novo olhar
Com mais de 20 anos de experiência em designer gráfico, Adriane leva às comunidades um novo olhar sobre as formas do Cerrado e também ensina técnicas sofisticadas de beneficiamento desses materiais. Do outro lado, as comunidades retribuem apresentando novas sementes, o que amplia o leque de possibilidades de criação das biojoias. Nas etapas de beneficiamento e tingimento das matérias-primas, há grande preocupação ambiental: as tintas utilizadas são biodegradáveis e os produtos de origem industrial, como fechos de metal e miçangas, são comprados de um fornecedor com certificado de uso inteligente da água.

Embora as biojoias já sejam bem conhecidas no País, assinala Adriane, o Cerrado ainda é pouco explorado como fonte de matérias-primas. O conceito de joias ecologicamente corretas chegou ao Brasil há cerca de dez anos, mas está muito ligado aos materiais típicos da Floresta Amazônica. A semente de açaí, por exemplo, popularizou-se em brincos e colares, mas as formas exóticas das sementes, folhas e flores do Cerrado ainda não são muito exploradas. “Cada vez que saio pro mato fico louca com a variedade que o Cerrado oferece e a atividade se renova a cada dia com a pesquisa de formatos inovadores e acúmulo de técnicas para o tratamento, manuseio e impermeabilização de uma grande variedade de recursos naturais”, diz.


Na coleção feita em homenagem à Brasília, o papel de revista reciclado foi a principal matéria-prima. Ele é enrolado em canutilhos de várias cores e tamanhos e, junto com miçangas, sementes e pedras, dá forma a colares e brincos. Os pingentes, imitando os monumentos mais conhecidos da cidade, como o Congresso, a Ponte JK, a Catedral e os azulejos de Athos Bulcão, foram feitos de madeira reciclada e argila. Uma segunda linha deve ser desenvolvida utilizando sementes, cascas e outros materiais do Cerrado no lugar do papel reciclado. No início de abril, a coleção será apresentada em Florianópolis.


Mais informações pelo telefone 3340-3030.

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