Lucas Lavoyer
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O cenário é assustador. Em uma situação que se repete há anos, pedestres do Setor Comercial Sul (SCS), oriundos de várias partes do Distrito Federal, temem abordagens agressivas, surtos de raiva e situações suspeitas de pedintes usuários de drogas, encontrados aos montes entre quadras e sob galerias da localidade. À mercê em uma das áreas que mais acumula incidência de tráfico no DF – foram 279 ocorrências em Brasília, entre janeiro e outubro de 2012 – em apenas uma hora, o Jornal de Brasília constatou o consumo de crack despudorado e o medo de transeuntes que apenas desviam o olhar, por recearem represálias. Para diminuir incômodos e a criminalidade movida pelo comércio ilegal de drogas, forças de segurança mapearam as áreas de maior incidência de tráfico e uso de drogas para planejar ações para coibir o crime.
A Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) enumerou ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas em 2012 e arquitetou um mapeamento desta prática criminosa. Apesar do consumo visível a qualquer período do dia em determinadas áreas, até outubro houve queda no número de incidências nas principais regiões administrativas. Das 31 áreas estudadas, 15 diminuíram o montante de registros, 12 aumentaram e quatro continuaram idênticas, com relação a 2011. Mesmo com menos casos este ano, Brasília desbancou Ceilândia e encabeçou a lista organizada pela pesquisa.
Queda
Ex-detentora da primeira e infeliz colocação no ranking de incidências do DF, Ceilândia acumulou queda considerável. Foram 184 ocorrências a menos em 2012, com o acúmulo de 218 infrações até outubro. Em 2011, o número havia alcançado 402 situações. De acordo com o delegado da Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil do DF (Cord), Leonardo de Castro, além das operações policiais, características relacionadas à criminalidade explicariam o resultado. “O tráfico é migratório. Quando a polícia age em determinados locais, os traficantes migram para onde não agem”, esclareceu.
A maior parte das incidências enumeradas pelo mapa da SSP compete a um tráfico de menor escala, principalmente na região central de Brasília. De acordo com a PCDF, muitas ocorrências partidas do SCS, Rodoviária do Plano Piloto e Setor Bancário Sul, entre outras áreas consideradas “pontos quentes” da capital, têm relação com traficantes intitulados “formiguinhas”, que repassam quantidades significativamente pequenas de drogas. “São traficantes pequenos, que incomodam. São aqueles que ficam na esquina ou debaixo de um prédio da Asa Sul, que às vezes vendem só para manter o vício. Os “formiguinhas” são os que mais atuam em Brasília, sem sombra de dúvidas”, apontou Leonardo de Castro.