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Brasília

Plano Piloto é a primeira região a atingir marca de 100 mil casos de covid

Nesta terça-feira (12), o Plano Piloto ultrapassou a marca de 100 mil casos confirmados. Do início deste ano até agora, as ocorrências na região aumentaram em 89%

Redação Jornal de Brasília

12/07/2022 18h42

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Gabriel de Sousa
redacao@grupojbr.com

Após 857 dias desde a primeira ocorrência de covid-19 confirmada no Distrito Federal, uma região administrativa atingiu a triste marca de 100 mil casos registrados da doença. Segundo o boletim epidemiológico desta terça-feira (12), divulgado pela Secretaria de Saúde do DF (SES/DF), o Plano Piloto chegou a 100.019 infecções contabilizadas, sendo a primeira a atingir tal número.

Neste último boletim, 149 novos registros do Plano Piloto foram contabilizados no sistema de dados da Saúde. A RA, que é a terceira com o maior número de habitantes do Distrito Federal, é também a que possui mais ocorrências registradas da doença na capital. Dos 729.131 casos confirmados no DF, 13,7% são de moradores da região.

O Plano Piloto possui 23 mil casos a mais do que a Ceilândia, que é a segunda com mais ocorrências, com 76.572 registros. Em seguida, Taguatinga (61.177); Águas Claras (50.313) e Guará (43.388) são a terceira, quarta e a quinta região administrativa com mais infecções de covid-19.

Casos no Plano Piloto cresceram 89% ao longo do ano

O Plano Piloto não foi a região com mais casos confirmados de coronavírus ao longo de toda a pandemia de covid-19 no DF. Tanto é que o Plano se tornou líder em ocorrências apenas no dia 13 de janeiro deste ano. Antes, a RA com mais registros era a Ceilândia, que assumia o posto desde o dia 29 de maio de 2020..

Até esta terça-feira (12), o Plano Piloto passou 243 dias sendo a região administrativa com o maior número de casos confirmados de covid-19. Além do início do ano até ontem, a RA liderou em números de ocorrências em outro período da pandemia, que foi desde quando a SES começou a detalhar as infecções por região administrativa de residência. Isso aconteceu em 26 de março de 2020, e o Plano teve mais registros de infecções contabilizadas até ser superado pela Ceilândia, em 29 de maio daquele mesmo ano.

No primeiro boletim epidemiológico deste ano de 2022, publicado em 3 de janeiro, a Ceilândia tinha 56.297 casos confirmados desde o início da pandemia, enquanto que o Plano Piloto registrava 52.909. Ontem, a Ceilândia chegou a 76.572 ocorrências, mostrando um aumento de 36% ao longo do ano. Já os números do Plano Piloto, com 100.019 infecções, cresceu em 89% desde o Reveillón.

Administradora ressalta importância da vacinação

Apesar de liderar em número de casos confirmados de covid-19, o Plano Piloto não é a região administrativa com a maior número de óbitos, e nem possui uma mortalidade por 100 mil habitantes superior às outras regiões administrativas do Distrito Federal.

Conforme o boletim desta terça-feira (12), o Plano Piloto tinha 867 óbitos por covid-19 confirmados. Ceilândia (1.771); Taguatinga (1.121) e Samambaia (870) tiveram mais mortes pela doença registradas ao longo da pandemia. Na mortalidade por 100 mil habitantes, a região, com 376,0, é a décima entre as 33 RA’s com a maior taxa. A fim de comparação, a região com o maior índice é Sobradinho, com 789,7.

Em uma entrevista exclusiva concedida para a equipe de reportagem do Jornal de Brasília, a administradora do Plano Piloto, Ilka Teodoro, ressaltou que a alta taxa de vacinação entre os moradores pode ser um fator que contribua para a diferença entre o número de casos e de óbitos na região administrativa. Além disso, ela pontua que, o alto poderio financeiro dos habitantes da RA em relação aos outros locais do DF, permitiu que os moradores tivessem uma melhor condição para enfrentar a pandemia de covid-19.

“Pessoas de uma renda maior tiveram uma condição de fazer um enfrentamento mais adequado, fazer um isolamento de forma adequada, e as pessoas com qualquer tipo de vulnerabilidade tiveram mais dificuldade de enfrentar. A gente não tem como negar que o Plano Piloto, de certa forma, está em um local de privilégio, com a população com uma renda familiar já bem mais elevada que o restante do Distrito Federal.”, afirma a administradora.

Segundo Ilka, o trabalho da administração regional ao longo da pandemia focou em propagar informações sobre o coronavírus para a população. “A gente tem ampliado o canal de comunicação com a população, e tentado, na medida do possível, promover uma grande conscientização da população sobre a pandemia, sobre os riscos da covid, e incentivando o uso de máscaras e da vacinação”, conta.

Além disso, a administradora afirma que a gestão trabalhou em impulsionar a vacinação de menores de idade aos finais de semana, contribuindo para o aumento da imunização da população regional. ”Assim que abriu a vacinação de crianças, a gente fez uma campanha específica para a vacinação infantil na Vila Planalto. O posto abriu no final de semana para vacinar crianças a partir dos 11 anos, e depois, quando saiu a vacina para os mais novos, também”, relembra Teodoro.

Deslocamento poderia ter contribuído para aumento

Para Teodoro, a situação epidemiológica enfrentada pelo DF nos últimos dois anos consiste no enfrentamento de “uma pandemia muito difícil de lidar”, e que demora muito mais do que o esperado para ter um fim. ”A gente tem uma saúde no Brasil organizada de forma multinível, e nem sempre as diretrizes do Governo Federal bateram com as diretrizes locais. É um vírus muito novo, uma coisa muito nova, que todo mundo teve dificuldade de enfrentar e que está durando um período bem maior do que o que se esperava”, afirma.

Perguntada pelo JBr sobre os fatores que propiciaram o aumento de 89% do número de casos confirmados no Plano Piloto em 2022, a administradora acredita, mas não afirma, que dois motivadores podem ter contribuído para este grande crescimento. Uma delas é a questão da locomoção dos moradores em período de férias, que pode ter contribuído para a locomoção da doença entre os habitantes locais.

“Eu acredito que foi muito em função do deslocamento das pessoas. Tanto na primeira onda da ômicron, que foi ali por volta de janeiro, como agora, o que a gente percebe é que período de férias escolares, em que muitos pais também tiram férias para acompanhar os filhos. A população do Plano Piloto é uma população que tem se deslocado para muitos lugares como em férias, turismo e trabalho”, comenta.

Outro fator citado pela administradora tem relação à abertura gradual das festividades na capital federal, que voltou a ficar ativo devido ao avanço da campanha de vacinação. “O setor dos eventos retornou com toda a força. Em junho principalmente, festa junina, festa julina, a gente teve muitos eventos acontecendo, e pode estar aí alguma razão. Mas eu não posso afirmar categoricamente que tenha sido em razão disso”, salienta Ilka Teodoro.

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