Leandro Cipriano
leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br
No Distrito Federal, apenas 5% de todo o lixo coletado é reciclado, de acordo com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Para mudar essa realidade, está em andamento o Plano para Resíduos Sólidos, que definirá os novos parâmetros da coleta seletiva local. O objetivo será dividir todo o DF em quatro grandes lotes, conforme a capacidade de geração de lixo seco (reciclável) em cada ponto. Assim, a coleta seletiva atenderia toda região, em vez de apenas alguns pontos, como ocorre atualmente. A expectativa é de que até novembro o edital de licitação esteja pronto, para que as obras que envolvem o plano comecem ainda este ano e possam ser concluídas no primeiro semestre de 2013.
“A coleta seletiva de hoje não tem uma estrutura, porque não teve no passado um planejamento”, justifica o diretor-geral do SLU, Gastão Ramos. Ao todo, são cerca de 65 toneladas de lixo produzidas por mês no DF, com apenas uma destinação: o lixão da Estrutural. A falta de locais para processar e destinar corretamente os resíduos recicláveis tornou a coleta seletiva, por muito tempo, um exercício sem resultados na capital.
Mas com a implementação do aterro sanitário em Samambaia, além da criação de 12 unidades de triagem de resíduos recicláveis, previstos para também serem inaugurados com a coleta seletiva, Ramos estima que até 12% de todo o lixo recolhido no DF possa ser reciclado. “Curitiba, só depois de 15 anos de coleta seletiva conseguiu chegar a 17%. Mas acredito que poderemos fazer isso em menos tempo. Vamos aproveitar onde eles tiveram falhas no processo e não iremos repeti-los”, ressaltou Gastão.
O diretor-geral do SLU garantiu que todas as medidas para colocar em prática o Plano para Resíduos Sólidos já estão em trâmite. Com a coleta seletiva atuando em toda a região, o lixo seco será recolhido por caminhões e entregue nas 12 unidades de triagem. Lá, os catadores, organizados em cooperativas, poderão fazer a coleta dos materiais e revender a empresas de reciclagem. O que não for aproveitado será enviado ao aterro em Samambaia.
Mudança de hábitos em casa
Atualmente, a coleta seletiva ocorre apenas no centro do Plano Piloto, nas quadras 100, 200, 300 e 400 das asas Sul e Norte, Brazlândia e Lago Norte. Ainda assim, é um número reduzido em comparação com todo o Distrito Federal. Na 305 Sul, por exemplo, é possível encontrar lixeiras para materiais recicláveis, além de compartimentos em cada andar dos edifícios, para separar o lixo orgânico do sólido.
Para a moradora Vânia Fonseca, 56 anos, a coleta seletiva na quadra ajudou a organizar a distribuição do lixo. “E também ajudou as pessoas a ficarem mais conscientes quanto ao meio ambiente”, afirmou. Em casa, Vânia fez questão de comprar uma lixeira especial que separa o lixo orgânico do seco, para facilitar ainda mais a coleta. “É uma boa iniciativa, mas depende também da gente fazer algo, senão o projeto vai morrendo”, comentou.
Já o porteiro do Bloco K na 305 Sul, Raimundo Nonato, acredita que ainda falta uma educação maior por parte dos moradores, para que a coleta seja feita da forma correta. “Com placas e lixeiras indicando, as pessoas ainda não fazem direito. Às vezes, somos nós que temos que separar”, disse.
No DF, 31% fazem seleção
Apesar da ininiativa de alguns, a grande maioria da população do Distrito Federal ainda não pratica a coleta seletiva. O último estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente sobre 11 capitais brasileiras apontou que no DF apenas 31% da população separa o lixo seco do molhado (orgânico). O índice é o segundo mais baixo das capitais analisadas, perdendo apenas para Belém do Pará.
Por outro lado, o levantamento revelou que 81% dos moradores do DF consideram que cuidar do meio ambiente é mais importante que o crescimento econômico. O estudo do Governo Federal investiga hábitos, atitudes e costumes dos moradores relacionados à sustentabilidade.
Apostando nessa grande parcela da população que o diretor-geral da SLU acredita que a coleta seletiva será um sucesso. “Isso é um grande indício de a população querer se engajar na coleta. O sucesso depende deles”, lembrou. Gastão revelou que uma campanha educativa é estudada pelo GDF. “E quando colocar a prática na rua, a população precisará estar conscientizada”, declarou. Na visão mais otimista, Gatão Ramos prevê que em menos de dois anos o DF desfrute de uma coleta seletiva completa.
Metas para ser referência
Uma das prioridades do Plano para Resíduos Sólidos é tornar o Distrito Federal referência nacional no tratamento do lixo reciclável. Para tanto, está em desenvolvimento uma política de atuação baseada em três eixos básicos: a desativação do lixão da Estrutural e a construção de aterros sanitários; a realização da coleta seletiva; e o desenvolvimento social e econômico dos catadores de lixo.
Segundo Gastão Ramos, a intenção é que a coleta, assim como as demais medidas para o tratamento dos resíduos sólidos, sejam tratadas não apenas como uma política de governo, mas de Estado. “Porque assim, mesmo com mudanças de governo, não mudará o que está sendo implementado. Isso deve ser um ganho para a população, e não dos governos”, destacou o diretor-geral do SLU.
Entre as ações anunciadas, está a liberação de oito áreas para sete áreas de transbordo, triagem e reciclagem de resíduos da construção civil (ATTRs), e de um aterro de inertes (ATI) em parcerias com a iniciativa privada.
A licitação para as obras de pavimentação e drenagem do local onde será o Aterro Oeste, em Samambaia, está prevista para ocorrer em 60 dias. O prazo foi confirmado na reunião mensal do Comitê Resíduos Sólidos, coordenado pela Casa Civil do DF, nesta semana.
O orçamento da primeira etapa do aterro sanitário ficou em cerca de R$ 20 milhões, segundo a direção do SLU. Cada uma das 12 unidades de triagem de resíduos sólidos ficou estimada em torno de R$ 1,5 milhão cada uma, incluindo nesse montante o valor dos equipamentos necessários para fazer a triagem dos materiais.