Planaltina realiza os últimos preparativos para a maior festa deste período na cidade. Na manhã de ontem, trabalhadores faziam a pintura dos meios-fios e equipes do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) cuidavam da limpeza e poda de árvores e grama. Tudo para receber as 150 mil pessoas esperadas no Morro da Capelinha que irão acompanhar a Via-Sacra deste ano, cujo tema é “Diante da Cruz”.
“A cruz não indica apenas sofrimento, mas também salvação”, explica o coordenador-geral do Grupo Via-Sacra, Carlos Alberto, membro da equipe há 20 anos. Este ano, a direção prepara duas novidades para o público. Uma delas é o uso de dois grandes painéis, que projetarão todo o espetáculo. “A outra é uma surpresa que só poderá ser conferida no dia”, despista Carlos.
PARTICIPAÇÃO
A programação, que começou no domingo passado e se estende até o próximo fim de semana, tem como ponto alto a encenação do julgamento de Jesus Cristo, na sexta-feira. Para dar vida a comerciantes, ladrões, leprosos e toda diversidade de personagens, 1,2 mil atores começam a se preparar um mês antes da apresentação. “Fazemos ensaios no morro durante cinco horas por quatro domingos”, conta Wesley Fonseca Fraga, coordenador de encenação, que tem o desafio de trabalhar com atores que não são profissionais.
“A maior parte dessas pessoas é da comunidade. Na preparação, fazemos não só um extenso trabalho de pesquisa que envolve costumes e figurino, mas sobretudo uma preparação espiritual. Há uma imersão total”, explica Wesley. “A emoção é incalculável”, adjetiva a costureira Maria de Lurdes. Além de cuidar de todo o figurino da montagem, Maria representa a mãe de Jesus há quatro dos 18 anos em que participa do grupo.
A cabeleireira Damiana Alves da Silva diz que representar Maria Madalena tem um sabor especial. “Ela foi alguém que Jesus acolheu”, conta. Ninguém, no entanto, tem uma tarefa mais árdua do que Saulo Humberto Soares, intérprete de Jesus Cristo. “A preparação é diária e não para. Toma o ano todo”, conta ele, que é professor da rede pública do DF.
Disposição
O preparo começa com os cuidados com a barba e o cabelo, além de exercícios físicos. “Não dá para fazer tudo o que seria necessário. Faço caminhada, ando de bicicleta quando sobra tempo”, conta. Além dos esforços na preparação, Saulo precisa aguentar as dores pós-encenação, ocasionados pelos 1,2 mil metros de Via Crúcis. “Geralmente sofro com dor nos joelhos, ligamentos e coluna, que são mais exigidos”. Saulo, porém, não reclama. “Vale a pena. Sempre vale a pena. É uma parte da missão que eu recebi”, acredita.
A vocação da montagem para todos os envolvidos parece uma só. “É um espetáculo para fazer bem à alma das pessoas”, acredita Wesley Fraga.
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