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Pistolas infravermelho aferem temperaturas abaixo do normal

Leitura errada da temperatura pode comprometer segurança em shoppings e comércio no DF

Clientes do comércio e empregados no Distrito Federal têm relatado aferições de temperatura abaixo da considerada normal para um ser humano saudável. De acordo com depoimentos coletados pelo Jornal de Brasília, algumas pessoas chegaram a apresentar 29°C o que pode indicar defeito no equipamento ou falta de calibragem.

O uso correto das pistolas infravermelhas – que aferem a temperatura pela testa serve de referencial para a detecção de consumidores febris ou com febre em estabelecimentos comerciais. Conforme decretos publicados pelo governo local quando da reabertura do comércio, quando apontadas temperaturas acima de 37,3°C, clientes não podem entrar nos comércios e devem ser orientados a buscar a unidade de saúde mais próxima. Em níveis tão baixos de aferições, a eficácia se torna duvidosa.

Foi o que aconteceu com Ana Luísa Andrade, 24, em um supermercado em São Sebastião. Lá a temperatura corporal aferida foi abaixo dos 30°C. “Deu 29° C. O funcionário só me mostrou porque eu perguntei mesmo. Mas nem pensei muito, só passei”, afirmou a consumidora. De acordo com ela, a pistola estava a quase 20 cm de distância da testa. “Acho que falta treinamento e calibragem do equipamento para evitar que pessoas que estejam com febre frequentem lugares públicos”, disse.

Carolina Prata, 25, recebeu instruções rígidas para lavar as mãos, fazer o uso do álcool em gel e medir a temperatura corporal na empresa onde trabalha.O termômetro apontou 32° C na pistola. “Achei estranho, mas deixei de lado. Já mexi com termômetros para meu trabalho de conclusão curso, mas para a aferição do ar atmosférico. Sei que precisa de uma calibragem correta e provavelmente esses erros são por esse motivo”, disse a estudante.

“Ninguém me mostrou quanto tinha dado, eu que vi. Mas nem tive tempo de reação; já me pediram para limpar o sapato, lavar as mãos, etc. Foi tudo muito rápido e só quando cheguei em casa prestei atenção”, relatou. Em um mercado que foi certa vez, o feedback também não foi dado após a aferição.

“Estou congelando”

Situação parecida ocorreu com Roman Cuattrin, 48 anos, em um shopping de Águas Claras. Segundo o bancário, apesar da preocupação do centro comercial em medidas de distanciamento e aferição de temperatura, em uma das medições feitas foi apontado que seu corpo estava com 33° C. “Ah, então eu morri. Já estou congelando”, declarou ele. “Duvido que eu estivesse naquela temperatura. Mas em uma das lojas, a temperatura estava normal, com 36° C”, comparou. A distância percorrida pelo consumidor não passou de 2 minutos. “Talvez tenha faltado uma calibragem do aparelho ou então uma orientação mais detalhada de quem está fazendo a medição. Acho que faltou um pouco de treinamento”, opinou.

É preciso calibrar

De acordo com o professor Alessandro Borges, especialista em medições e instrumentação do departamento de Engenharia Automotiva da Universidade de Brasília (UnB), instrumentos “só passam a ser de medição se estiverem calibrados”. “Este é o ponto inicial. O que acontece é que essas pistolas têm modos de operação e configurações que podem ser ajustadas para melhorar a forma de medição. Pode haver bastante desvio se utilizadas de forma incorreta”, alerta o acadêmico.

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Sol e ar condicionado interferem

As pistolas infravermelho, segundo o professor, analisam um índice de emissividade – fator de emissão de energia – de um material. Caso não haja adequação no aparelho para a pele humana, é provável que apresente um resultado diferente do usual. “Como ela serve para medir a temperatura de qualquer objeto, ela não vai saber se você está medindo um ser humano ou uma mesa. Cada tipo de material responde de uma forma diferente”, explicou Alessandro.

O professor explica que alterações pela temperatura na qual a pele esteve exposta podem acontecer. “Se a pessoa está em um ambiente mais frio, a pele pode estar com uma temperatura mais baixa um pouco, mas depois de três minutos a temperatura volta”, disse. Outra opção é procurar alguma área do corpo que esteja protegida, como o pulso.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF, (Sindivarejista/DF), Sebastião Abritta, a orientação para a compra dos termômetros é feita com base nas marcas e modelos indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações sanitárias. Em aferindo temperaturas diferentes das normais, a orientação dada por Abritta é que o procedimento seja feito novamente, após um breve período, e que seja perguntado ao cliente se esteve exposto ao sol ou ao ar condicionado.

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