Ana Paula Andreolla
ana.fernandes@jornaldebrasilia.com.br
Placas de sinalização, ruas, monumentos e até viadutos que acabaram de ser construídos. A pichação tomou conta da cidade e esse tipo de vandalismo pesa no bolso do Governo do Distrito Federal. É o caso do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Só para trocar placas danificadas e pichadas, anualmente, o Detran gasta, em média, cerca de R$ 7 milhões, e há quem diga que o número poderia ser ainda maior.
Eliesé Santos, coordenador do programa da Secretaria de Segurança Pública, Picasso Não Pichava, conta que, em menos de dez anos, mais de 280 mil jovens já foram atendidos pelo programa, e muitos deles um dia foram responsáveis pelos indecifráveis rabiscos em prédios e monumentos do DF. “Com o programa, em vez de pichar a cidade, os jovens passaram a se ocupar com o grafite e outras atividades”, diz o coordenador. “Acredito que se esse programa nunca tivesse surgido as pichações poderiam ser ainda mais frequentes”.
As pichações causam transtorno, principalmente para pessoas que não sabem andar pelo DF e dependem da sinalização para se deslocar. A comerciante Divina Soares, moradora de Alexânia (GO), veio para Brasília visitar uma amiga que está doente, mas na tarde de ontem, na ETPG, encontrava dificuldades para chegar até o seu destino. “A gente se desloca em uma direção, tenta ler a placa, mas picharam por cima da informação. Aí eu fiz o retorno, para ver se a placa do sentido contrário continha alguma informação que pudesse me ajudar, mas ela também estava pichada”, reclama a visitante.
O Programa Picasso Não Pichava surgiu em 1999 e hoje conta com uma série de atividades. Além de aulas de grafite, oferece para os jovens aulas de dança de rua, violão, entre outras atividades. “Muitos pichadores que foram encaminhados para o programa hoje são professores de grafite. Aqui os jovens ocupam seu tempo livre com atividades culturais. É um trabalho de formiguinha, mas é uma forma de evitar que a gente perca mais jovens para a criminalidade”, diz Eliesé Santos.