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Brasília

PF investiga escravidão em Samambaia

Arquivo Geral

16/05/2013 7h51

A Polícia Federal procura os responsáveis pelos crimes de imigração ilegal e tráfico de pessoas, cujas vítimas estavam alojadas em Samambaia. Cerca de 80   homens vindos de Bangladesh teriam sido trazidos ilegalmente ao País, atraídos por promessas de emprego. O Jornal de Brasília esteve nas regiões investigadas pela PF, no ano passado. Ali, é comum ouvir relatos sobre a presença dos estrangeiros, que foram encontrados pela PF em situação considerada degradante.

 

A investigação concluiu que há pelo menos quatro “coiotes”, naturais do país asiático, que intermediam a entrada dos trabalhadores no Brasil. A viagem custaria entre 10 e 12 mil dólares, geralmente pagos pela família do imigrante.  Os motivos da vinda  seriam a baixa remuneração naquele país – cerca de cem dólares mensais –, e  as péssimas condições de trabalho, com mais de 14 horas de expediente. Os atravessadores prometiam salários de   R$ 3 mil.

  

Segundo o delegado Dennis Cali, o fato que chama atenção   é a naturalidade dos imigrantes, pois a Polícia Federal nunca havia trabalhado com vítimas de países tão distantes. “Geralmente, são pessoas vindas da Bolívia e do Paraguai”, disse o chefe do Serviço de Repressão ao Trabalho Forçado.

 

Para chegar ao Brasil, eles percoriam 16 mil quilômetros. Passavam por uma rota que saía de Daka através de Dubai e chegava ao País por três caminhos diferentes: via Peru, entrando no Acre pelas cidades de Epitaciolândia e Assis Brasil; pela Bolívia, ingressando no Brasil via Corumbá (MS) e, da Guiana, via Boa Vista (RR), o que revela uma nova rota usadas por coiotes que ainda não estava no radar das autoridades brasileiras. Nessas fronteiras,  eram instruídos a pedir o status de refugiado. O   aumento de pedidos de refúgio por cidadãos de Bangladesh chamou a atenção da Polícia Federal. Em 2010, foram 39 e no ano seguinte, 111.

 

 

 

Aqui, a situação encontrada era bem diferente da prometida. “Eles viriam para trabalhar no abate, em frigoríficos. Mas existem mais pessoas do que empregos, e as vítimas acabam tendo que trabalhar na construção civil, em sub-empregos ou ficam desempregados”, explicou Cali.

 

Procurada pela reportagem, a embaixada de Bangladesh em Brasília foi surpreendida pelo notícia e pediu apoio ao Ministério da Justiça. 

 

 

Motivos para abandonar a terra natal


Um dos imigrantes relata  que existe perseguição em Bangladesh, e a própria polícia seria responsável por crimes contra inocentes. Por conta da tensão e também das condições de trabalho, os bengaleses se sentiam no direito de se mudar. Com  dificuldade de se comunicar em português e inglês, o imigrante conta que gosta    do Brasil e que não gostaria de voltar para casa.

 

Tido como um dos mais qualificados de um dos grupos, outro imigrante também   conversou com  a reportagem. Ele fala inglês e  concluiu um curso na área de tecnologia da informação. Mas ao chegar no Brasil, teve que trabalhar em um pequeno mercado da região.

 

 

O local com concentração dos imigrantes fica próximo a uma fábrica de alimentos. Moradores dizem que muitos dos bengaleses trabalhariam no empreendimento. Responsáveis pelo estabelecimento não foram encontrados para comentar o assunto.

 

O presidente da comissão  da Câmara dos Deputados que investiga o tráfico de pessoas, deputado   Arnaldo Jordy (MD-PA), informou que   apresentará pedido de convocação de  suspeitos de tráfico internacional de pessoas para trabalharem no DF.

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